O arruamento assombrado
Sexta-feira, Abril 5, 2013

Andam fantasmas à solta pelas Taipas. E vieram para ficar.

As casas onde moram e de onde saem pela calada das noites de lua cheia são monstros na paisagem.

Só no centro contam-se três, apesar do actual presidente da junta enquanto candidato ter prometido resolver o assunto, restaurando-as.

Vontade pode ele ter, mas falta-lhe o melhor: habilitação legal para impor coercivamente obras aos proprietários. O presidente da junta está careca de saber que é assim, mas faz de conta que não sabe e continua a prometer, assim a modos que o presidente da junta quer, os proprietários tremem e as obras fazem-se (ou melhor, não se fazem).

Deixando o centro, temos no parque um rinque que o dono decapitou precipitadamente, expondo-o à inclemência e à usura do tempo, para chacota de uns e verrina de outros. É o exemplo acabado do frenesim próprio dos ansiosos em mostrar serviço, ainda que da sua excitação juvenil resultem danos e prejuízos para a gestão de entidades públicas pagas por nós, contribuintes.

Subindo o parque, deparamos com as ruínas da antiga “pensão vilas”, um capricho caro criado e mantido pela junta de freguesia responsável pelo “desvio” de alguns milhares de euros por mês que muito jeito davam para a junta fazer o mínimo que é de sua obrigação e muito mais. Visto pelo lado do fim a que está destinada, a “pensão vilas” vai revelar-se uma opção caríssima, insustentável, condenada ao fracasso. Deixando de parte as manobras jurídico-formais que desde o berço acompanham esta negociata, pense-se que se neste momento mais de 65% dos idosos não tem dinheiro para pagar o lar, a julgar pelo caminho de empobrecimento e roubo por onde o governo PSD/CDS nos conduz, quando o “lar da junta” ficar pronto, vai ficar às moscas, sendo legítimo agir política e judicialmente contra quem malbaratou dinheiro da junta.

Mas há outras casas de fantasmas. Junto ao quartel da GNR está um outro cadáver à espera de decisão. É obra particular, mas tem por trás uma aprovação da Câmara posta em causa por alegado favoritismo. Se houver indemnizações futuras, não é abusivo concluir que houve erro, um erro que os contribuintes serão chamados a pagar.

Mais à frente, na avenida Martins Sarmento, há outro fantasma à solta, Os ferros à vista apontam para o céu, mas consta que é obra humana e erro humano com origem numa aprovação discutível. Tanto quanto se sabe desta paragem não resultarão custos para o erário público, mas sim custos políticos por mais um caso de “jeito” aos da cor.

Finalmente, o monstro do tão propagandeado lar de idosos lançado por conhecida instituição taipense. As obras pararam, deixando à mostra o tijolo. Ao que parece não é por falta de subsídios públicos, como alguns dizem. É por motivos bem diferentes, por, também neste caso, se atropelarem as regras do rigor e da racionalidade, privilegiando quem não merecia ser privilegiado.

Todos estarão lembrados do esforço feito por uma candidatura à freguesia para ficar associada à obra, pelo que agora não é exagerado pedir-lhe contas pela paragem nas obras. A ser verdade o que se diz, vamos ter mais um caso que não abona a competência dos intervenientes e ainda menos o dever de isenção e imparcialidade exigidos a quem quer lidar com bens e dinheiro que pertence ao povo.

Daqui resulta evidente que há muitos mitos em queda nas Taipas. Do lado do PSD, mas também do lado do PS.