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O acompanhamento das mudanças no Centro Histórico
Quinta-feira, Junho 16, 2016

O Centro Histórico de Guimarães foi classificado pela UNESCO, em 2001, Património Cultural da Humanidade. Este título, que a todos os vimaranenses e não só, enobrece, foi possível devido a vários factores, entre os quais destaco a sua história e o seu passado intimamente ligado à constituição da nossa identidade nacional, o cuidado nos processos de requalificação e restauro dos seus edifícios, utilizando métodos e técnicas tradicionais e, penso que igualmente importante, a particularidade de ser um território intramuros com uma densidade habitacional bastante significativa, contrariando outros exemplos, nacionais e internacionais, onde a desertificação é uma evidência. O Centro Histórico de Guimarães é um espaço com vida, porque para além dos turistas que o visitam, e são muitos, tem gente que nele habita, trabalha e convive.

Mas a sua população residente é, em boa parte, envelhecida, característica que dificulta a introdução no seu quotidiano de quaisquer propostas de alterações sem resistências. E foi por isso mesmo que a Câmara Municipal, perante a decisão governamental de liberalização dos horários destes estabelecimentos, decidiu regulamentar o horário de funcionamento dos bares desta área, procurando acautelar minimamente os diferentes interesses em jogo: a possibilidade de diversão e convívio, com o direito ao sossego dos moradores.

Conciliar a vontade e as necessidades de quem habita o Centro Histórico, com as características que sabemos, com a vontade de quem nele procura o convívio e a diversão, sendo uma prioridade, não é propriamente uma tarefa fácil para quem tem a obrigação de decidir

Atentos ao problema, a CDU propôs e foi aceite em sede da Assembleia de Freguesia das Juntas da cidade – (Oliveira. S. Paio e S. Sebastião) a realização de debates públicos, proporcionando a todos os envolvidos a discussão sobre todas as matérias que, no entender de cada um, deveriam ser alteradas ou modificadas, por forma a melhorar o dia a dia de quem vive nesta zona classificada.

Neste âmbito foram realizados dois debates, com uma participação significativa, responsáveis locais incluídos, onde, pelo exposto, podemos concluir que os principais problemas apontados que preocupam os frequentadores e moradores desta zona são: o novo sistema da recolha de lixo, a falta de patrulhamento nocturno como elemento dissuasor e preventivo de desacatos e o barulho durante e depois do fecho dos bares.

Torna-se claro que a solução para todos estes casos apontados como menos positivos, passa por um maior esclarecimento dos moradores, principalmente sobre o funcionamento do novo sistema da recolha do lixo doméstico, denominado PAYT, sobre o qual, pelo que se ouviu, ainda subsistem muitas dúvidas sobre as suas potencialidades.

Sobre a segurança, ou a falta dela, ficou a promessa do responsável local da PSP, de que haverá um reforço do patrulhamento nocturno, após o fecho dos bares. Sobre o ruído, vamos contar com a Universidade do Minho, para a sua análise e medição.

Ouvir a população, esclarecer e resolver os seus problemas, é a nossa função enquanto eleitos.

Vereador da CDU na Câmar Municipal de Guimarães