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O acesso rápido ao AvePark e o interesse público
Quinta-feira, Maio 28, 2015

A futura via de acesso ao Parque de Ciência e Tecnologia AvePark já fez correr muita tinta, mas não é preciso ser profeta para prever que este assunto está longe de estar encerrado.

Para os mais distraídos, aqui fica uma súmula. No ano transacto, a Câmara Municipal de Guimarães manifestou a sua intenção de levar a cabo a construção de uma via dedicada ao AvePark, que estabeleça uma ligação capaz com as infraestruturas rodoviárias principais e que “aproxime” aquele parque tecnológico do aeroporto Francisco Sá Carneiro, com vista a atrair mais investimento empresarial e a facilitar a deslocação da população da parte norte do concelho ao centro urbano de Guimarães e vice-versa.

Não me parece que o plano do órgão executivo municipal seja descabido, muito pelo contrário. A construção de vias de comunicação que promovam a coesão territorial, que satisfaçam as necessidades de mobilidade populacional e que fomentem o empreendedorismo, a inovação e o desenvolvimento tecnológico e industrial do município é de louvar. Todavia, não existe nenhum estudo, pelo menos público, que permita antever o impacto social e económico resultante de uma ligação viária dedicada ao AvePark, pelo que seria útil a realização do mesmo antes de se iniciar a execução dessa obra.

A principal questão que agora se coloca e que tem gerado controvérsia no seio vimaranense é determinar qual o traçado ideal dessa via. É certo que não se pode agradar a gregos e a troianos, mas o executivo municipal terá de encontrar uma solução que, como lhe compete, melhor prossiga o Interesse Público.

A proposta atual avançada pela Câmara Municipal prevê a requalificação do troço rodoviário já existente entre Silvares e Fermentões e a sua ligação à autoestrada, assim como a requalificação da EN 101 desde a rotunda de Fermentões, que dá acesso a Silvares, até ao entroncamento de acesso ao Parque Industrial de Ponte, sendo construída, a partir daí, uma nova via a “norte” da referida estrada nacional, cujo traçado sinuoso atravessa diversas freguesias do concelho, aproveitando, na sua reta final, um trecho, de cerca de 1 Km, de via já existente junto ao AvePark.

Embora não tenha conhecimentos técnicos que me permitam determinar se o traçado da via apresentado pela Câmara Municipal é ou não o ideal, tenho algumas reservas sobre se este projecto ou “esboço preliminar” é a melhor solução, por duas grandes razões.

A primeira prende-se com o impacto ambiental e ecológico desta via, visto que o traçado rodoviário proposto prevê o atravessamento do Rio Ave a montante da Estação de Tratamento de Água de Prazins Santa Eufémia, a qual assegura o fornecimento de água potável à população de Guimarães e Vizela, além de afectar diversas explorações agrícolas e zonas de reservas ecológica e agrícola.

A segunda razão está relacionada com a mobilidade das pessoas, pois se não forem previstos acessos rodoviários, vias de entrada e de saída, ao longo do percurso estradal, o novo canal viário poderá ter um efeito perverso, ou seja, ao invés de aproximar as populações poderá contribuir para o seu isolamento.

Assim, antes de se tomar qualquer decisão é imprescindível que se dê uma atenção redobrada a estes aspectos para que não se cometam erros irreparáveis e se evite que os danos eventualmente causados com a execução da dita via sejam superiores aos benefícios.