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O acesso ao AvePark e as primárias do PS
Quarta-feira, Outubro 8, 2014

1. Os vereadores da Coligação Juntos por Guimarães (PSD e CDS-PP), através de conferência de imprensa, pelos vistos uma nova forma de exercício dos seus cargos, decidiram criar mais um facto político: a apresentação de uma proposta para uma nova ligação entre o nó da autoestrada, o Parque de Ciência e Tecnologia e a Vila das Caldas das Taipas, que assenta no atual traçado da E.N. 101 e a construção de uma via dedicada entre Ponte e o AvePark rasgando o Parque de Lazer.

Acontece que, ao contrário do que se pretende fazer crer, desta proposta não resulta qualquer melhoria significativa, antes penalizando gravemente a acessibilidade, a segurança e a qualidade de vida das populações residentes nas imediações da E.N. 101 aos equipamentos e serviços mais significativos e que “rasga” um dos mais belos parques concelhios: o parque de Ponte, resultando, claramente, uma “solução” mais grave que o “problema” que se quer resolver.

Reconhece-se a importância que a melhoria da acessibilidade representa para o AvePark, dada a sua relevância estratégica para Guimarães, para a região do Ave e para o país. Mas não se pode, nem deve, aceitar que seja feita em prejuízo dos superiores interesses e qualidade de vida de alguns milhares de vimaranenses, especialmente dos que habitam na não menos importante Vila de Ponte e, muito menos, como simples arma de arremesso político. De facto, a proposta da coligação encontra-se em absoluta contradição com as boas práticas para uma mobilidade sustentável, que se traduzem na transformação das estradas nacionais em vias com carácter urbano, privilegiando a segurança, a mobilidade pedonável e a ciclável.

Como é do conhecimento público, existe já um traçado plasmado na proposta de revisão do PDM de Guimarães, que esteve em discussão pública e que mereceu validação de todas as entidades que, sobre esta matéria, são chamadas a intervir, nomeadamente o Ministério da Agricultura (no que toca à reserva agrícola) e do Ministério do Ambiente (no que à reserva ecológica diz respeito). Não se compreende, portanto, que se venha agora dizer que a proposta visa apenas provocar, na sociedade vimaranense, uma ampla discussão, quando, como anteriormente se refere, esse prazo ocorreu durante o primeiro trimestre de 2012, há mais de dois anos e, que se saiba, ninguém contestou!

2. António Costa, atual Presidente da Câmara de Lisboa, será o futuro secretário-geral e candidato a primeiro-ministro do Partido Socialista nas próximas eleições legislativas.

Assim o confirmaram os cerca de 175 mil militantes e simpatizantes que, no passado domingo, decidiram participar nas primeiras eleições primárias, abertas também a simpatizantes, realizadas em Portugal.

Desses, mais de 118 mil votaram em António Costa e, apenas, um pouco mais de 55 mil no secretário-geral, agora demissionário, António José Seguro.

Em Guimarães, os resultados foram muito idênticos aos registados em todo o país.

Cerca de 59% dos mais de dois mil e duzentos eleitores militantes e simpatizantes vimaranenses votaram em António Costa, que venceu em todos os distritos e regiões autónomas, exceto na Guarda.

Depois de adotar a eleição, pelo método direto, para o secretário-geral, o Partido Socialista volta a inovar e a recorrer, pela primeira vez em Portugal, a eleições primárias, com a participação de simpatizantes, para a escolha do seu candidato a primeiro-ministro.

Agora é hora de “tocar” a reunir e a unir o Partido. E depois de uma campanha longa e com alguns exageros, o novo líder, António Costa tem agora o grande desafio de, depois de mobilizar militantes e simpatizantes, mobilizar Portugal e afirmar o Partido Socialista como verdadeira e credível alternativa a este (des)governo de direita.