O Plano e Orçamento de Guimarães para 2017
Quinta-feira, Outubro 27, 2016

A ambição de um concelho mais desenvolvido tem de assentar num território amigo do Ambiente, onde os recursos naturais são preservados, onde os cursos de água são despoluídos e onde a paisagem natural e edificada se respeitam mutuamente.

Neste contexto programático da CDU cabe o objectivo do território verde proposto pela maioria socialista, valendo como esforço colectivo de um concelho que tem de tomar medidas concretas que consubstanciem essa ambição.

Algumas das políticas e propostas do Orçamento da CMG para 2016 apontavam nesse sentido, desde logo o tratamento adequado dos cursos de água concelhios e seus afluentes com destaque para o rio Ave. Mas um concelho amigo do Ambiente tem de saber dizer não a projectos menos respeitadores desse mesmo Ambiente, ou com demasiado impacto na paisagem e isso implica cuidadosa revisão dos regulamentos, um filtro mais fino na avaliação dos investimentos.

Pese embora o que dissemos e desejamos há um ano atrás, e após várias campanhas de sensibilização para a necessidade de preservar os rios e as suas margens, continuamos a assistir a episódios de descargas poluentes que põem em causa a eficácia de todo este processo ambiental. Temos mais atenção e vigilância, é verdade, mas o problema principal, a existência de actividades industriais potencialmente poluidoras e prevaricadoras, persiste.

Quanto à prometida coesão social e territorial, o centro continua o alvo privilegiado do investimento público e a política de transportes públicos marca passo, o que, para a CDU representa um ponto fraco que tarda em ser removido e só pode ser resolvido com uma eficiente rede de transportes públicos de passageiros que cubra e una o território, que facilite a mobilidade das pessoas, juntando e animando a cidade e as vilas.

A municipalização dos transportes urbanos de passageiros é o caminho certo para a existência de um verdadeiro serviço público determinado pelas necessidades dos cidadãos, pela estratégia de coesão e combate às assimetrias sociais, em claro contraste com a actualidade onde pontifica a procura (legítima) do lucro pelos operadores privados.

Sobre o turismo, ou melhor dizendo, sobre a política de atracção turística de estrangeiros tem de ser repensada. Todos temos a percepção que comparados com o concelho vizinho, temos menos visitantes todas as épocas do ano e não apenas na chamada época alta. A extinção da Zona de Turismo de Guimarães retirou-nos capacidade de afirmação, diluindo Guimarães no contexto da vasta região do Norte e Porto.

O Plano e Orçamento para 2017, aprovado por maioria na reunião da Câmara de 27 de Outubro é superior ao anterior cerca de 18 milhoes de euros, contando com 14 milhões de fundos comunitários. Assim sendo, e para além do reforço das verbas canalizadas para o ensino e a mobilidade (Ecovia) espera-se que algumas rubricas com verbas insuficientes sejam corrigidas e espera-se também que o investimento, sobretudo o investimento reprodutivo, seja revisto em alta, para que Guimarães não seja um concelho com contas equilibradas, com uma dívida a diminuir mas um concelho socialmente injusto e economicamente estagnado.

Vereador da CDU na Câmara Municipal de Guimarães