O Médio Oriente ali tão perto
Quinta-feira, Janeiro 28, 2016

Na última reunião descentralizada do executivo municipal, realizada na Vila de Brito, foi aprovado por unanimidade o Acordo de Cooperação para o Plano de Acção do Município de Guimarães para o Acolhimento de Pessoas com Necessidade de Protecção Internacional, denominado – “Guimarães Acolhe”.

Com este plano, o município vimaranense pretende criar condições mais céleres e eficazes, garantindo a optimização de recursos para o acolhimento e integração de pessoas com necessidade de protecção, proporcionando-lhes condições de bem-estar e de segurança e plena integração na comunidade local, salvaguardando o respeito pela sua cultura, individualidade e dignidade, enquanto cidadão de pleno direito.

É também a resposta local ao compromisso assumido pelo nosso país ao apelo do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) à comunidade internacional, onde ficou acordado que Portugal iria receber, durante dois anos, cerca de cinco mil pessoas nestas condições. Para a concretização desta missão humanitária a Câmara Municipal de Guimarães conta com a parceria e envolvimento do Conselho Português para os Refugiados e cerca de vinte Instituições Sociais do nosso concelho. Com esta acção, Guimarães constrói possibilidades de esperança de uma vida melhor a cerca de três dezenas de refugiados.

Temos conhecimento, pela comunicação social, do drama constante de pessoas oriundas do Médio Oriente e do Norte de África, que desesperadamente procuram um lugar seguro para viver, fugindo da guerra e da miséria.

No desespero da fuga, a ausência da possibilidade de escolha obriga a que tudo entreguem, vida incluída, nas mãos de gente sem qualquer tipo de escrúpulos e, como resultado, são frequentes as imagens de naufrágios bem como as imagens de crianças mortas, as suas principais vítimas. Todos temos na memória a imagem do corpo inerte do menino sírio Aylan, encontrado na praia turca do Mar Egeu. Diariamente vemos gente apinhada dentro de botes a serem resgatados em pleno mar, sem combustível, sem segurança e em péssimas condições físicas, completamente abandonados à sua sorte. O Mediterrâneo transformou-se num imenso cemitério para milhares de pessoas e seus legítimos sonhos.

É verdade que sempre houve correntes migratórias vindas desta área geográfica do mundo, principalmente de África, mas nunca de tamanha dimensão. A este fenómeno não será alheia a política externa ocidental (EUA e Europa) dos últimos anos, iniciada com a invasão do Iraque, do Afeganistão, da Líbia e mais recentemente na Síria. O resultado mais visível destas acções nestes países está à vista: saque e destruição. Da democracia, que tem costas largas, e que tem servido de mote para justificar esta política criminosa, nem vê-la. Perante o caos provocado, com os países nas mãos de gente mais que duvidosa, onde a segurança não existe e a incerteza é uma constante, a fuga é um acto natural de sobrevivência.

Assim, todos estes que nos procuram merecem da nossa parte compreensão e solidariedade, porque temos a responsabilidade de os ajudar e tudo fazer para minorar o seu sofrimento.

Verador da CDU na Câmara Municipal de Guimarães