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O Matrimónio como Sacramento
Quinta-feira, Março 4, 2004

O que distingue o matrimónio natural do matrimónio cristão? O que é um sacramento? Em que sentido o matrimónio cristão é um sacramento? Quais as consequências do matrimónio cristão? São questões que aqui tentamos esclarecer de maneira simples.

1. Que diferença há entre o matrimónio natural e o matrimónio cristão?
O Cânone 1055 do Código de Direito Canónico afirma: “O pacto matrimonial… entre os baptizados foi elevado por Cristo Nosso Senhor à dignidade de sacramento. Pelo que, entre baptizados não pode haver contrato matrimonial válido que não seja, pelo mesmo facto, sacramento”.

2. O que quer dizer que o matrimónio é um sacramento?
De uma maneira simples, podemos explicar os sacramentos do seguinte modo: o Homem é um ser espiritual-corporal; como tal, ele comunica com os outros:
– por meio de sinais objectivos (como a escrita, a música, a pintura, a escultura…);
– por meio de gestos subjectivos (como um aceno de cabeça, o sorriso, o aperto de mão, o beijo, o abraço, o acto sexual…).
Jesus, tendo presente a natureza espiritual-corporal do Homem, decidiu comunicar-nos o seu perdão, a sua salvação, a própria vida de Deus por meio de palavras, de sinais, de gestos. Os sacramentos são, efectivamente, um conjunto de palavras, de sinais, de gestos, através dos quais Deus comunica a salvação ao Homem que está receptivo a essa realidade.
É maravilhoso o facto que Jesus se tenha adaptado ao nosso modo humano de comunicar.

3. Em que sentido o matrimónio é um sacramento?
■ O Novo Testamento apresenta frequentemente Cristo como o esposo e a Humanidade salva (isto é, a Igreja, que é o povo de baptizados) como a esposa. Quando o Filho de Deus, Jesus Cristo, fez-se Homem, foi o mesmo que casar-se com a Humanidade: e, unindo-se a nós, salvou-nos. Depois, na Cruz, morrendo pela salvação dos Homens, disse sim à Humanidade, na esperança que a Humanidade dissesse sim a Ele. Este matrimónio entre Cristo e a Igreja realizar-se-á plenamente na eternidade.
■ O matrimónio cristão é um sacramento na medida em que insere dois baptizados no matrimónio de Cristo e a Igreja. A palavra sacramento significa “símbolo” ou “sinal”. Quando dois cristãos se casam, o seu matrimónio torna-se “sinal” do matrimónio entre Cristo e a Igreja. O Homem representa Cristo e a Mulher representa a Igreja (os dois papéis simbólicos são convertíveis entre si).
Mas devemos dizer ainda mais: o matrimónio de dois cristãos não é somente representativo do matrimónio entre Cristo e a Igreja, mas é a “realização em miniatura” desse mesmo matrimónio. Digamos que, através do matrimónio de dois cristãos, Cristo e a Igreja desejam continuar a reviver a sua aventura de amor, de modo único e original.
O matrimónio, no sentido cristão, torna-se, portanto, um acontecimento e um estado de vida, que devem ser vividos a um nível muito elevado. De facto, é o próprio Cristo que une em matrimónio os baptizados e estes tornam-se os seus ministros.

4. Quais são as consequências do matrimónio cristão?
As consequências são muitas. Mas antes de as referir, convém precisar que os cônjuges cristãos recebem pelo sacramento do matrimónio uma graça especial para se amarem, para serem fiéis, para educarem os filhos segundo a fé cristã.
E eis, então, algumas consequências do matrimónio cristão:
1. Assim como Cristo e a Igreja são um só ser (Cristo é a Cabeça, nós somos os membros: cfr. 1 Coríntios 12), também o Homem e a Mulher, que decidiram unir-se sacramentalmente (isto é, pela Igreja), são um só ser: são, digamos assim, Cristo e a Igreja!

2. Assim como Cristo e a Igreja não podem separar-se (poder-se-á separar, porventura, a Cabeça do Corpo?), também o Homem e a Mulher que se casam sacramentalmente não podem separar-se nem podem ser separados!

3. Tal como Cristo e a Igreja se amam indestrutivelmente, assim também os dois cônjuges cristãos devem amar-se indestrutivelmente: o Homem deve amar a Mulher como Cristo ama a Igreja: a Mulher deve amar o Homem como a Igreja (a Igreja dos santos!) ama Cristo (como dizíamos, os dois papéis simbólicos são convertíveis entre si).

4. Tal como Cristo e a Igreja geram novos filhos de Deus, assim também os cônjuges cristãos são chamados a gerar novos filhos de Deus, a preparar novos membros para o Corpo de Cristo, a preparar novos cidadãos para o Reino dos Céus.

5. Assim como Cristo e a Igreja viverão unidos por toda a eternidade, também os cônjuges cristãos viverão unidos, com um amor totalmente particular, por toda a eternidade.
Certamente que Deus não afundará nem deixará naufragar no nada a coisa mais bela que criou: o amor! “A caridade nunca acabará!” (1 Coríntios 13,8).
Assim sendo, a vida matrimonial torna-se uma maravilhosa imagem e antecipação do banquete nupcial, prometido por Jesus a todos aqueles que acolherem o convite do Pai. Participantes deste banquete nupcial, os esposos cristãos viverão a sua união conjugal no contexto daquele inefável mistério esponsal que unirá indestrutivelmente Cristo e a Igreja.

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