O Concelho de Guimarães no contexto distrital
Terça-feira, Novembro 29, 2005

Quando se fala em Braga, referimo-nos a Braga – cidade, concelho. Quando se divulga Distrito de Braga o significado é bem outro. O anúncio referia Braga e não o Distrito de Braga, pelo que eu e muitos outros leitores, só poderiam entender que o Instituto Ibérico se vai localizar em Braga ou, pelo menos, no concelho e Braga.
Poder-se-ia argumentar que a localização exacta do Instituto ainda não se encontra definida e que a hipótese de localização em outro concelho do Distrito de Braga é de considerar; é esta abertura que não podemos deixar de aproveitar uma vez que a estrutura para o acolhimento de um instituto deste tipo já está criada – refiro-me ao Ave-Park das Taipas.
O Presidente da Câmara de Guimarães, como é sua obrigação, diz que vai tentar trazer para o concelho o Instituto Ibérico; o Presidente da Câmara de Braga, afirmou à imprensa que a nova estrutura de investigação vai muito para além do conceito do AvePark.
Sem querer desencadear um conflito distrital, o conflito de interesses entre os municípios de Braga e Guimarães está criado:Quem vai vencer?
Braga.
Nas pretensões do município de Guimarães que colidiram, com as pretensões simultâneas e sobre o mesmo objecto, do município de Braga, Guimarães perdeu.
Citam-se os exemplos: o pólo da Universidade do Minho de Guimarães é 1/3 do Pólo de Braga.
A instalação da faculdade de medicina domiciliou-se no Pólo de Braga da UM; Guimarães constituiu o AvePark; Braga constituiu um Centro Tecnológico;
Braga tem uma loja do cidadão; Guimarães não.
O Tribunal da Relação só se sediou em Guimarães porque Braga já tinha a garantia da instalação do Tribunal Fiscal e Administrativo de Circulo.
As diferenças de conquistas só se verificaram por Braga se ter assumido como sede de Distrito e exigir um tratamento consonante com esse estatuto.
Guimarães, apesar de ser o 10.º orçamento no ranking dos municípios portugueses, não tem exigido do poder central investimento correspondente à sua importância nacional.
O mais grave que isso é que o concelho definha.
Para quem está atento aos números verá: pela primeira vez, desde o 25 de Abril de 1974, o concelho de Braga ultrapassou o concelho de Guimarães em número de eleitores. Significa este facto que o concelho de Braga está a crescer, do ponto de vista populacional e o concelho de Guimarães está a estagnar ou está crescimento negativo.
As politicas dos municípios condicionam decisivamente esta evolução. Braga desde há muitos anos está aberta em todas as direcções; Guimarães está fechado sobre si.
A gestão da Câmara é disso prova: Guimarães é um concelho multipolarizado- 9 vilas – com politica macrocéfala – primeiro e sempre a cidade.
Sabe-se que o orçamento municipal ultrapassará os 100 milhões de euros; as freguesias receberão 2%; significa isto a continuação do ostracismo das freguesias.
Em coerência com a sua politica, a Câmara aprovou a concessão à ACIG de um apoio de 45.000 euros para apoiar as iluminações do Natal na cidade de Guimarães. Embora tivesse sido solicitado, a Câmara negou esse apoio às Juntas para, nas respectivas freguesias, poderem iluminar as suas ruas.
Os comerciantes da cidade de Guimarães irão beneficiar das ruas da cidade de Guimarães iluminadas à custa de impostos e taxas que os comerciantes do restante concelho pagam.
A Câmara socialista sempre nos habituou à máxima: “venha a nós o vosso reino”.