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O Centro da vila
Terça-feira, Maio 12, 2015

Por impulso emotivo sou conservador. Sim. Conservar aquilo que foi feito pelos que nos precederam principalmente quando a realização tem valor artístico e histórico.

A Avenida da Republica da Vila de Caldas das Taipas – prestes a celebrar os seus 75 anos de vila – é um exemplo do que deve conservar-se e proteger. Não fora a agressão estética da fachada do Centro Comercial Passerelle e do edifício do “Clara” e a Avenida da Republica conservava na sua pureza a beleza histórica e pitoresca que os antepassados a premiaram.

É costume nos dias que passam encher a boca com as requalificações urbanísticas como se, por si, essas requalificações fossem boas. Só são boas se o forem realmente.

Saúde-se a aprovação pela Câmara Municipal da requalificação da Avenida da Republica. Esta saudação só tem sentido se realmente a chamada requalificação for positiva. Se não se obtiver ganhos significativos, deixar estar tudo na mesma que, ao menos, ganha-se o dinheiro que não se gasta.

E em que termos a requalificação pode ser considerada positiva?
A resposta a uma questão dessas depende do que se quer para a Avenida da República.

As soluções a apresentar têm que revelar ideias seguras do que se quer: zona de comércio exclusiva e com transito de pessoas pedonal; zona mista de comércio e circulação automóvel; qual a postura de transito a implementar; manter as árvores actuais ou outro modelo de plantação de árvores.

É preciso reflectir, discutir, apreender sugestões, soluções práticas que se situem muito para além do discurso hermético dos arquitetos, cheio de adjectivos, pleonasmos, redundâncias, antónimos e sinónimos, e ainda outras figuras de estilo que os actuais cultores da língua tanto almejam.

É necessário saber o que se quer e que as soluções a encontrar sejam as mais consensuais porque as que refletem o sentir mais autêntico dos taipenses.

Cuidado com as tentações de alterar tudo, porque sim; com as descaracterizações; com as modernices que passam de moda e não impõem qualquer marca distintiva e única na terra.
Uma coisa é certa: qualquer intervenção tem que respeitar a individualidade do Centro das Taipas.

E para que isso aconteça, é necessário conhecer, além dos espaços, a forma de sentir e de realizar a terra ansiada pelos Taipenses e essa sensibilidade, só os Taipenses a têm NA ESSÊNCIA.