O C. C. Taipas quer uma audiência com o Governo
Quinta-feira, Novembro 25, 2004

“A direcção do Clube Caçadores das Taipas solicitou uma audiência ao Governo, a fim de apresentar algumas reclamações relacionadas com a estrutura do futebol nacional. Os representantes taipenses exigem a intervenção do Governo e esperam ser ouvidos em Conselho de Ministros. O clube de Caldas das Taipas defende uma reformulação profunda dos campeonatos nacionais, contando desde já com o apoio de outras agremiações do Distrito de Braga”.

O parágrafo em cima mencionado bem podia tratar-se do topo de uma notícia, focada em qualquer jornal, ou transmitida por qualquer rádio, mas não é verdadeira. É fictícia, mas enganam-se aqueles que pensam que a “notícia” andará longe da realidade. Pois, a partir de agora, entendo que a direcção de um clube como o Clube Caçadores das Taipas, GDRC Os Sandinenses, CD Ponte ou até o Operário de Campelos tem o direito pleno de solicitar uma audiência ao Governo para discutir temas relacionados com o futebol (ou arbitragem!!!). Tudo isto porque foi aberto um grave precedente, muito recentemente, quando o ministro-adjunto do primeiro-ministro, Henrique Chaves, decidiu abrir as portas aos representantes do SL Benfica com o único propósito de discutir com o Governo assuntos relacionados com o futebol e, principalmente, de arbitragem!!! Afinal de contas, para que servem as instâncias que regulam o nosso futebol? Para que serve a Liga de Clubes e a Federação Portuguesa de Futebol? E o que distingue a instituição SL Benfica de um CC Taipas, Vitória Sport Clube, Sporting Clube de Braga ou até Moreirense FC? Será que estas instituições, por exemplo, que detém o mesmo estatuto de utilidade pública que o Benfica, não podem ser recebidas pelo Governo?
Por isso mesmo, deve-se pensar sempre antes de agir.
O argumento que a colectividade em causa se “trata de uma instituição de referência do desporto nacional” por si só, não chega. Mais. Não está sequer em causa a instituição SL Benfica – que merece todo o respeito – mas sim as pessoas que actualmente a representam. São as mesmas pessoas que já representaram outros clubes desportivos no passado e podem vir a representar outros, ainda, no futuro. E, nessa, altura vão querer uma nova audiência com o Governo para fazer “queixinhas” do jogador adversário que se atirou para o chão a fingir uma falta! E nessa altura, como será? O Governo terá tempo para marcar uma nova audiência? Ou, dessa vez, anulará o pedido dos dirigentes desportivos?

Campo de jogos Emílio Macedo da Silva
Chegou-me aos ouvidos que um grupo de sócios do GDRC Os Sandinenses pretende propor em Assembleia Geral a alteração da denominação do Campo de Jogos do clube de D. Maria Teresa para Emílio Macedo da Silva, em homenagem ao sócio-fundador e ex-presidente do clube. Não se trata de um caso inédito.
Por este país fora não faltam Estádios e Campos com os nomes de dirigentes que contribuíram para o desenvolvimento das instituições, e nem há necessidade de os expor aqui. No entanto, há algumas questões a esclarecer: Até que ponto os sócios d’Os Sandinenses querem apagar do mapa o nome de D. Maria Teresa? Será que vale a pena combater a tradição e retirar o nome de um Campo de Jogos, que já lá está desde a sua fundação? Sabia que o nome D. Maria Teresa era o nome de uma Quinta situada, precisamente, no local onde actualmente abundam os campos do GDRC Os Sandinenses? Sabia que o Campo do Sandinenses é já conhecido por D. Maria Teresa e é difícil, principalmente a quem o visita, associar o campo a um novo nome?
Por outro lado: o nome que se atribui a uma estrutura, ou obra, não deve ser o meio ideal de reconhecer o esforço dispendido por essa pessoa em prol da instituição? Quem foi que projectou o clube a nível regional e local? Quem foi que dispensou horas a fio para manter em pé esta pequena, mas forte, colectividade? Quem foi que doou o terreno para a construção do primeiro campo de jogos? Quem foi que deu a cara nas horas mais difíceis do clube?
Para todas estas questões há uma resposta: Emílio Macedo da Silva. Afinal de contas, Emílio Macedo da Silva é a pessoa que está desde a primeira hora no clube, apesar de ter declinado a presidência da direcção muito recentemente.
No entanto, a resposta final para o “baptismo” do Campo de Jogos cabe sempre aos associados.