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O Avepark e as populações
Quinta-feira, Maio 21, 2015

Queria iniciar este meu texto com duas notas, que não posso deixar de fazer: uma primeira de agradecimento ao Reflexo pelo convite que me endereçou e com o qual me honrou, para partilhar alguns pensamentos com os seus leitores; e uma segunda de felicitação ao Jornal Reflexo, pela cobertura jornalisticamente exemplar que faz da vida política e social do concelho de Guimarães, com particular enfoque na região noroeste do concelho é certo, mas ainda assim um exemplo de jornalismo imparcial, livre e com espírito crítico.

A região noroeste do concelho de Guimarães, onde sobressaem as vilas de Taipas e Ponte, é a região mais populosa de Guimarães a seguir ao núcleo urbano da cidade. Estas duas vilas são as maiores vilas do concelho. A zona das Taipas tem e mantém características históricas e sócio-económicas diferenciadoras de outras regiões do nosso concelho, o que ainda mais enriquece a multitude cultural da nossa terra, que sempre se desenvolveu assente nas suas diversas – e diferentes – regiões e povoações. Aliás, por isso mesmo no século passado existia um vereador com o pelouro das Taipas e outro com o pelouro de Vizela. Tendo mais tarde surgido igualmente o pelouro de Pevidém.

Precisamente por isto e com respeito a esta mesma circunstância é que, no que respeita à chamada “Via do Avepark”, a Coligação Juntos por Guimarães tem batalhado por uma solução que, servindo o Avepark, possa servir igualmente (e prioritariamente) as populações. É quanto a mim evidente que por muita importância estratégica que tenha o Avepark (e tem-na certamente) e por muita necessidade que acesso rápido a suas casas que tenham os seus investigadores, um investimento desta grandeza não pode ser feito como se não existissem, ali uns metros ao lado, milhares de vimaranenses cujos acessos a suas residências são igualmente merecedores da nossa preocupação.

Numa palavra, o que temos o dever é de evitar que após quase 20 milhões de euros de investimentos, as vidas das pessoas que habitam e trabalham nas vilas das Taipas e Ponte se mantenham rigorosamente igual ao que estavam antes. É precisamente isto que nós, gestores da coisa pública, devemos tentar evitar. É precisamente por isso que devemos ter a capacidade de criar uma solução que consiga vários objetivos com um só investimento, e não apenas o objetivo de servir o Avepark ignorando as populações em seu torno. Usando como base a plataforma da EN 101 como sendo aquela que sempre serviu estas populações e não ignorando-a passando-lhe ao lado como se não existisse e não tivesse a via que durante década serviu estas populações.

Opusemo-nos à proposta que a Câmara Municipal apresentou em Abril-2014 em reunião de Câmara que teve lugar, precisamente, nas Caldas das Taipas. Proposta que a Câmara agora procurou defender e sustentar em três sessões públicas. Mas não nos limitamos a manifestar oposição. Tivemos a coragem de apresentar alternativas, sujeitando-as igualmente ao escrutínio público. Porque essa é a nossa forma de estar: entrar no debate com propostas, com alternativas.

O que se pretende agora, atenta a disponibilidade de alcançar uma solução o mais consensual possível, é tudo fazer para alcançar essa solução. Uma solução que procure o melhor de todas as perspetivas. Uma solução que defenda o Avepark, mas que defenda igualmente as populações, uma solução que não ignore as Taipas, uma solução que procure beneficiar Ponte, uma solução que defenda o ambiente, que defenda os acessos das populações do território Castrejo e sobretudo, que tenha condições de poder vir a ser contemplada com financiamento comunitário. Parecem requisitos a mais mas é uma solução perfeitamente possível. E é para isso que todos temos o dever de trabalhar.