O 25 de Abril no concelho
Segunda-feira, Maio 7, 2012

E porque as Taipas já possui um auditório que se chama Centro Pastoral capaz de receber um grande agrupamento, a orquestra de sub 21 deu um concerto na Vila. O Centro Pastoral estava cheio, lotação esgotada, como se publicitou à entrada.

Existem um conjunto de notas que ressaltam necessariamente desse concerto.

A primeira tem a ver com a avidez da população das Taipas de ver uma orquestra ao vivo;
A segunda é que as Taipas tem público e público que gosta e percebe;

A terceira, e sem ofender sensibilidades, é que a utilização útil do Centro Pastoral passa por se realizarem estes eventos com mais frequência.

A quarta, na sequência das anteriores, é que foi um acto de justiça – justiça é atribuir a cada um aquilo que é seu.

A quinta é que pareceu que a deslocação da orquestra às Taipas foi mais um “doce” oferecido às Taipas, uma benesse que a Câmara no alto da sua magnificência deu aos taipenses; e estes estão-lhe eternamente agradecidos, de joelhos de preferência, por tão tamanha bondade e por tão tamanho sacrifício.

Quando é que teremos orgulho próprio para exigir aquilo a que temos direito?

A actuação da orquestra de sub 21, tal como muitas outras coisas que aqui vêm desaguar, são o produto dos nossos impostos, taxas, derramas, coimas, doações e sacrifícios pessoais. Os taipenses, tal como muitos outros cidadãos deste país, são credores e devem exigir a prestação de quem deve – quem está a governar. Enquanto não houver a aquisição desta mentalidade, seremos um conjunto de lambe botas, o produto acabado do que o Salazar – era o “Botas” – quis fazer de nós. Seremos Salazarentos. E o pior é que os militantes dos partidos ditos de esquerda, que de esquerda não têm nada pois só pensam neles e… depois neles e sempre neles, são os primeiros a dar testemunho público da mentalidade Salazarenta. Ai! quem lhes fale assim – sujeito-me a perseguições. Ai! quem confronte o espírito de Abril com a sua prática: mexem-se nas cadeiras como que acossados e incomodados no seu conceito da sua democracia.

É disto que se trata: exigência, protesto, reclamação, Outra vez, exigência, protesto, reclamação.

Deveria ser criado o dia internacional do reclamante. Reclamante não quer dizer embirrento, “chato”, mesquinho. Reclamante quer dizer atento, crítico e exigente. É incómodo não é? Pois, não deixa de ser o espírito do 25 de Abril: incomodar, propor, impugnar, lutar pelos ideais.

Uma grande parte dos deputados municipais não apareceu à sessão solene do 25 de Abril. Compreende-se. Para eles o 25 de Abril é um dado adquirido; até votam nas assembleias municipais. E na sessão solene não podiam votar, logo não era uma reunião democrática. E mais, só podia falar um. Que seca. Convém que falem todos e no fim votamos todos no mesmo, de acordo com o que a liderança da bancada manda pois o presidente da câmara está lá, bem de frente para os deputados, para ver quem está a favor ou contra as propostas da câmara.

Se votas a favor, pode ser que a tua terra ou terriola, vou ver, – pensa ele baixinho – tenha algum protocolo para algumas obras desnecessárias. Se votas contra ou és de outra bancada, bem, vamos ver o mínimo que te podemos fazer pois não é com o nosso dinheiro que vai parecer que fazes alguma coisa mesmo que tenhas as ideias, o trabalho e as propostas melhores do mundo. Isso fica para outra altura quando, quiçá, estiver alguém dos nossos…

É este o espirito de Abril que se cultiva e se pratica pois faz crescer os militantes mais novos…