Novo líder
Segunda-feira, Agosto 8, 2005

Creio ter lido nas páginas deste jornal a frase atribuída ao presidente da Câmara de Guimarães que reproduzo de memória: comigo as Taipas estavam um brinquinho.

Como muitas vezes acontece, o que mais valorizado foi nesta apreciação é o que menor importância tem.

Implícito no comentário está o papel nuclear da Junta de Freguesia, mais particularmente o papel do presidente da Junta, na resolução das necessidades básicas, na solução dos pequenos problemas que afligem as pessoas, na apresentação e defesa de projectos que desenhem hoje o futuro, obviamente em articulação com a Câmara.

Por isso a questão do presidente da Junta é a questão essencial.

As suas qualidades políticas e pessoais, a experiência que adquiriu no exercício de cargos públicos ou a falta dela, as capacidades de gestão, as provas de firmeza e de diálogo que lhe são reconhecidas, são atributos que reputo de necessários ao bom desempenho da função presidencial.

Por muito que tal seja insuportável aos ouvidos de muitos, as Taipas são apenas e só uma freguesia quando vistas pelo prisma legal e constitucional. Uma entre 69 iguais em direitos. Quando, por direito próprio, o presidente da Junta das Taipas discute na assembleia municipal as obras e os investimentos municipais, é um entre os seus pares e só pelas suas qualidades de persuasão, só pela sua insistência junto dos serviços e dos vereadores, só convencendo pela pertinência da argumentação pode ultrapassar barreiras e fazer valer o peso das Taipas que não vem na lei.

Os anos que já levo de vida política activa, com muitos de tarimba como vereador, com e sem pelouro, permitem-me opinião sustentada sobre o perfil ideal do presidente da Junta para as Taipas.

Em primeiro lugar, não pode ser alguém que se satisfaz em ficar à espera do que a Câmara tem para dar – tem que ter ideias e saber defendê-las; tem que ter projectos e saber mobilizar vontades e meios para os executar.

Depois, tem que responder aos problemas das populações, aos maiores e aos mais pequenos, na certeza de que uma junta só encontra justificação como órgão autárquico de base para resolver o que não faz sentido ser resolvido por outro órgão autárquico superior mas mais distante. Por vezes há presidentes que não se preocupam com miudezas, como dizem, limitando-se a fazer chegar à Câmara as reivindicações dos moradores, das quais rapidamente se esquecem e desistem. Julgam-se mais do que realmente são. Olham-se ao espelho e nele vêem reflectido o presidente da câmara que gostavam de ser mas não são.

O passado mostra que o facto de a Câmara e a Junta serem da mesma cor partidária não basta para uma boa gestão. Abundam igualmente os exemplos de juntas cujos presidentes ignoram ou fingem ignorar os limites legais das respectivas competências e entram em confronto aberto ou velado com a câmara. As consequências são óbvias e nefastas para a freguesia, porque o queijo e a faca não estão nas suas mãos.

As Taipas só estarão em boas mãos se o novo líder for pessoa firme nas convicções, político experiente e gestor de créditos reconhecidos. Façam o favor de o descobrir até Outubro entre os candidatos à assembleia de freguesia.