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Nova rede hospitalar penalizará hospital de Guimarães
Sábado, Abril 19, 2014

As eventuais consequências da portaria n.º 82/2014 de 10 de abril para o Centro Hospitalar do Alto Ave (CHAA) dominaram o debate político da última reunião do executivo vimaranense

A recente portaria que estabelece os critérios que permitem categorizar os serviços e estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), de acordo com a natureza das suas responsabilidades e quadro de valências exercidas, e o seu posicionamento da rede hospitalar, coloca o hospital do Alto Ave (Guimarães e Fafe) no grupo I. Trata-se do nível que permite menos valências a disponibilizar pelos hospitais e que terá uma área de influência direta entre os 75 mil e os 500 mil habitantes e sem área de influência indireta.
Caso esta situação se concretize, o CHAA deixará de poder disponibilizar à população da sua área de influência, desde logo tal como está plasmado na referida portaria, as valências de genética médica, farmacologia clínica, imuno-alergologia, cardiologia pediátrica, cirurgia vascular, neurocirurgia, cirurgia plástica, reconstrutiva e estética, cirurgia cardiotorácica, cirurgia maxilofacial, cirurgia pediátrica, e neurorradiologia.

André Coelho Lima, vereador pelo PSD, apesar de revelar uma certa preocupação, não partilha da visão mais pessimista que a portaria poderá acarretar para Guimarães: “A portaria não emite nenhuma instrução, nem para o encerramento ou abertura de valências, unidades ou serviços. Há motivos de atenção. Os contratos com cada hospital é que vão indicar as valências que serão mantidas e não os grupos onde estarão os diferentes hospitais. Atendendo ao que o Ministro da Saúde referiu, e posso dar um exemplo, a cirurgia vascular que existe em Guimarães e que está vedada aos hospitais do grupo I, não implica esse encerramento em Guimarães, tudo será visto caso a caso”.

Para Torcato Ribeiro, da CDU, a portaria mostra uma intenção clara do governo e como consequência o “hospital de Guimarães irá perder e a cidade também”. Apelou à mobilização dos vimaranenses para impedir que “esta política de saúde vá avante”.
O vereador da CDU acrescentou ainda que o atual governo “mexe em tudo menos nas parcerias público-privadas. Assim, o hospital de Braga não tendo clientes para satisfazer a dimensão na sua área geográfica vai ter de os ir buscar à sua volta”.
Será de referir que o hospital de Braga está classificado no grupo II, na portaria em causa, e trata-se de uma parceria público-privada.

Domingos Bragança, presidente da Câmara de Guimarães, não tem dúvidas quanto ao que poderá estar em causa, caso a portaria efetivamente se concretize: “O hospital de Guimarães perderia algumas valências e a médio prazo perderíamos o hospital de referência que temos hoje”.
Questionado sobre a reação emocional da sociedade vimaranense, Domingos Bragança entende que a vida em sociedade também se “faz de emoções. Os vimaranenses têm razão em estar preocupados e sabem que algumas consequências podem doer”, acrescentando que estará com todos os vimaranenses que, como o caso da petição pública online, contribuam para ajudar a reverter a portaria. Sem se deter, salientou o espírito lutador da sociedade vimaranense e não deixou de criticar o poder central: “Tudo o que temos em Guimarães é à custa de muito trabalho, ninguém nos dá nada e os vimaranenses sabem isso. Não conheço nenhum governo que nos dê algo, pelo contrário, temos de estar sempre alerta. A lógica é a do distrito, estes estão a dormir e recebem uns telefonemas a dizer que vão ter isto ou aquilo. Se não estivermos alerta perdemos aquilo que custou muito a criar”.

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