No rescaldo das Presidenciais
Terça-feira, Janeiro 31, 2006

Imaginemos dois produtos de grande consumo, o produto S e o produto D, daqueles que muita gente compra por neles reconhecer as qualidades publicitadas, sendo que as características realçadas dão resposta a necessidades e aspirações profundamente sentidas.

Obviamente, o produto S é de marca diferente do produto D, são de origens igualmente diversas e são distribuídos por canais distintos.

Imaginemos agora que no primeiro trimestre do ano X o produto S se vende mais do que o produto D e que, alguns meses mais tarde, no último trimestre do mesmo ano, as posições se invertem e o produto D tem mais saída do que o produto S.

Sempre que isto acontece, sempre que a procura de uma marca diminui a benefício da concorrência, os peritos desdobram-se na busca de resposta para o prejuízo, procurando perceber o que estará na origem da súbita mudança de preferência.

O que nos interessa nas migrações de clientes de uma marca para outra é o estudo do por quê da mudança e não tanto a quantidade ou volume dessa mesma mudança.

Assim sendo, a interpretação qualitativa da troca explica-se pelo facto de as marcas se confundirem. De facto se as qualidades intrínsecas das duas marcas forem claras e inequívocas, se uma e outra não forem susceptíveis de confusão, gera-se a fidelização da procura porque os consumidores não sentem razão para mudar. Inversamente, quando as diferenças entre as marcas embora existentes não são apercebidas pelo consumidor, a este tanto faz comprar uma ou outra, porque incapaz de estabelecer o que distingue uma da outra.

Onde estão marcas coloquem PS e PSD e comparem com o que se passou entre as legislativas de Fevereiro de 2005 e as presidenciais de Janeiro de 2006: marcas difíceis de distinguir convidam os eleitores a ora votar num ora votar noutro.