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No “mercado eleitoral”, os favoritos da troika valem pouco
Terça-feira, Março 12, 2013

Reagindo aos resultados das eleições legislativas italianas um político alemão destacado, no caso o líder do SPD, irmão gémeo do PS português, rematou “que nunca votaria em dois palhaços”.

Sobre esta postura, pode encolher-se os ombros alegando que foi um desabafo a quente de quem não gostou dos resultados alcançados por duas candidaturas que os italianos sufragaram. Ou pode não se deixar sem reacção o desaforo de quem se atreve a desqualificar as escolhas dos italianos, invadindo uma reserva que só a eles diz respeito.

Pessoalmente reprovo a atitude, mesmo considerando que tomada no calor de umas eleições em que os protegidos da Europa, o tecnocrata que finge não ser político e o político astuto que foi cúmplice na austeridade imposta aos italianos, foram severamente julgados e castigados, no caso de Monti e pelo menos repreendidos, no caso de Bersani.

No mercado eleitoral, os homens de confiança dos especuladores financeiros somaram desaires – o povo italiano recusou em massa a austeridade e quem mais abertamente a corporizava.

Depois da Grécia, a Itália. Amanhã, Portugal e a Espanha.

Pode meter-se a cabeça na areia, para não ver, que isso não muda a realidade.

A União Europeia está em desagregação, e o euro, tal e qual existe, contribui para a derrocada contrariando os que viam nessa moeda o cimento para aproximar economias profundamente desiguais.

Os povos já perceberam que de Bruxelas procedem normas, directivas e imposições, que visam o seu empobrecimento, visam a destruição do que levou gerações a levantar, de Bruxelas chegam tratados e medidas servilmente acatadas por governos domesticados e dóceis que em vez de enfrentarem os credores ajoelham diante dos credores.

Tudo o que cheira a Bruxelas tem má fama. Lá se congeminam políticas que os povos recusam. Lá se impõem governantes que são da sua confiança, mas não são da confiança do povo. O afastamento é cada vez mais visível.

Ao crescente afastamento e desagrado dos povos respondem os políticos comprometidos com a arrogância dos que percebem que o seu mundo está em decomposição e fala grosso na esperança de evitar o inevitável: entre governantes e governados aprofunda-se a desconfiança. O fim está próximo.

Em Itália, como em Portugal.

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