PUB
Nicolinas: do sagrado ao profano
Quinta-feira, Dezembro 3, 2015

As festas Nicolinas, celebradas em homenagem a S. Nicolau, padroeiro dos estudantes, representam uma das mais antigas tradições académicas nacionais. Um evento secular, repleto de simbolismo e de originalidade, que consegue, ano após ano, mobilizar milhares de pessoas, trazendo alegria a toda a cidade de Guimarães. Sob a égide da Comissão das Festas Nicolinas, um grupo de jovens estudantes une esforços no intuito de preservar esta tradição, que deve ser mantida e salvaguardada, já que desempenha um papel preponderante no património cultural da nossa cidade. Enraizadas no espírito de cada um dos vimaranenses, são, sem dúvida, as minhas festas preferidas, por serem de iniciativa jovem e académica, carregadas de história, de simbolismo e de emoção.

No entanto, as Nicolinas que hoje conhecemos estão longe da primitiva festa em honra de S. Nicolau que, com cariz exclusivamente religioso e sem cunho estudantil, se cingia a um único dia, 6 de dezembro. Tamanha era a devoção e apreço por S. Nicolau que, com o passar dos anos, a festa foi-se alargando, e aquilo que era uma celebração religiosa, converte-se numa festa profana, integrando jogos, danças e cantares seculares tradicionais da época. Na verdade, são esses festejos pagãos que estão na origem das Nicolinas, as quais têm como marco inicial o ano de 1661, data em que se iniciou a construção da capela de S. Nicolau, onde os estudantes sediaram a Irmandade de S. Nicolau.

A partir do século XIX, dada a magnitude desta celebração, fixou-se que as festas Nicolinas decorreriam entre o dia 29 de novembro e 7 de dezembro, integrando os seguintes eventos: a Ceia Nicolina; o Pinheiro; as Novenas; as Posses; o Magusto; as Roubalheiras (estas sem data fixa, obviamente); o Pregão; as Maçazinhas; as Danças de S. Nicolau e o Baile Nicolino.

Todos os anos, tal como no passado domingo, o anúncio do início dos festejos é feito na noite de 29 de novembro, com o cortejo do “Pinheiro” que, precedido da “Ceia Nicolina”, percorre as ruas da cidade, desde o Campo de S. Mamede até à Praça D. Domingos da Silva Gonçalves, onde um pinheiro é erguido, junto ao Monumento ao Nicolino, como mastro estudantil. O evento mais conhecido e, talvez, o mais apreciado, o “Pinheiro”, reúne sempre milhares de estudantes, antigos e atuais, que desfilam pelas ruas da cidade ao som do rufar das caixas e ao ritmo dos bombos.

Nos próximos dias, realizar-se-ão as Posses, o Magusto, as Roubalheiras, o Pregão, as Maçãzinhas, as Danças de S. Nicolau e o Baile dos Nicolinos, portanto, até ao dia 7 de dezembro, tem sempre uma boa desculpa para sair à rua e divertir-se com as Nicolinas.

Cecília Soares
Advogada