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Nervos à flor da pele
Sábado, Julho 9, 2005

Tendo em conta a elevada agitação que se tem verificado nas últimas Assembleias de Freguesia, pode considerar-se que, a que se realizou no passado dia 30 de, decorreu de forma invulgarmente normal.

Acabou por ser a proximidade das eleições autárquicas, com a nítida preocupação de todos os quadrantes políticos com assento na bancada da assembleia a lançar farpas uns aos outros como que a indiciar uma campanha eleitoral muito agitada.

Numa reunião com 4 pontos na ordem de trabalhos, o ponto 2 (apreciação da actividade e da situação financeira da Junta de Freguesia) terá despertado mais interesse aos presentes, envolvendo mais discussão.
O documento de análise do exercício da Junta, fez referência à conclusão do Pavilhão Gimnodesportivo do CART e aos respectivos apoios financeiros da Câmara e da Junta para o arranjo da zona envolvente. O documento referia ainda a execução da pavimentação do Loteamento do Pinhel; a colocação do sistema de controlo de acesso ao recinto da feira; e a execução da obra de escoamento de águas pluviais na Rua Padre Silva Gonçalves, entre outras.
No capítulo financeiro, destacaram-se as transferências de verbas para o Clube Caçadores das Taipas (2.500 euros) e para as Associações de Pais das Escolas, nº 1 do Pinheiral (10.170 euros) e nº 2 da Charneca (6.900 euros). Referência ainda para o número de eleitores activos nesta data e que é de 4.675. No seguimento da apresentação do Relatório da Actividade da Junta, Remísio Castro falou ainda na “incompetência de alguns que aquando da passagem pela Direcção do CART dispensaram o apoio da Câmara”. No seguimento desta observação, colocou sérias dúvidas à solução directiva encontrada para o Clube Caçadores das Taipas. Sobre o assunto deixou sair um “Deus queira […] não venha ao de cima a promiscuidade entre o futebol e a política”. Lamentou ainda o facto de nenhum dos presentes ter louvado a realização da final-four de Juniores e Juvenis de hóquei em patins no pavilhão do CART.

As reacções não se fizeram esperar. Armando Marques foi o primeiro a usar da palavra para dizer que se congratulava com qualquer investimento da Câmara nas Taipas, referindo-se à recente conclusão do pavilhão do CART. Contudo, lamentou que outros não tenham a mesma sorte, numa clara alusão ao Clube Caçadores das Taipas. Segundo o mesmo, “o Clube possui infra estruturas recentes, que com mais vontade por parte da Câmara poderiam estar noutro estado”. Manuel Marques da Silva entre a surpresa e alguns risos, revelou uma pretensa confidência do presidente da Câmara: o pavilhão do CART, só terá sido concluído porque tal resolvia um problema da edilidade relativamente à geminação existente entre Guimarães e a cidade espanhola de Igualada, onde o hóquei em patins tem fortes tradições e que assim passa a ter um condigno para a realização de jogos nas suas deslocações a Guimarães. Mário Dias, foi rápido e sucinto na sua intervenção: felicitou a Junta pelo apoio ao CART no arranjo urbanístico da zona envolvente do pavilhão e pela realização das Festas de S. Pedro.

A intervenção da noite caberia a Capela Dias, já num tom de conclusão do mandato, referiu-se à grande mudança que ocorreu neste mandato em relação aos anteriores. No entender deste eleito pela CDU, o longo período de tempo em que as decisões eram tomadas a uma só voz deixou vícios que tiveram alguma resistência em desaparecer neste mandato depois de “a vontade popular ter ditado uma assembleia de freguesia mais plural […] com consequências na repartição de tarefas e obrigando a um diálogo permanente entre contrários para o qual nem todos estavam preparados.”
Depois destas e outras considerações, o seu alvo preferencial passou a ser o presidente da Junta, Remísio Castro, a quem não poupou críticas. Assumiu a divergência de opiniões entre a CDU e o PS. Mesmo com uma Junta de Freguesia tripartida, concluiu que “falta nas Taipas uma entidade ou instituição que pugne visivelmente pelo desenvolvimento fora da área de competência da Junta”. Continuou dizendo que a própria Câmara Municipal tem também os seus vícios: “conheço a Câmara, os seus protagonistas, como agem e reagem a posições, declarações e posturas de velado afrontamento […]”
Sugeriu que esse “papel fulcral podia ser assumido pela empresa de génese municipal que opera na freguesia” que deveria “permitir uma articulação e uma coordenação de diferentes patamares de poder útil ao objectivo de gerir a favor das Taipas um património valioso e incontornável na perspectiva do turismo”. Essa empresa a que se refere é a a TaipasTuritermas na qual Remísio Castro detém a representação do Presidente da Câmara.
Para além deste aspecto levantou outras questões que ficaram mais uma vez por resolver neste mandato. Referiu a rede de saneamento não compreendendo “o que se passa com o saneamento de efluentes domésticos e industriais, descarregados em cursos de água, causadores de maus cheiros e focos de insalubridade permanente”. Para o deputado da CDU, o parque encontra-se num estado de “abandono e desmazelo”, sendo imperioso implicar os responsáveis por essa realidade, numa nova referência à TaipasTuritermas, gestora do parque fluvial das Taipas.

Finalmente, a gestão do reconto da feira voltou a ser referido: “o senhor vai deixar a Junta sem resolver o problema delicado da feira. Seria mais justo e mais curial desarmadilhar a bomba antes de partir. “
Com o trabalho de casa feito, fez uma intervenção onde se dirigiu directamente a Remísio Castro, na grande parte do tempo. Apesar da preparação, cometeu algumas imprecisões: a primeira, quando se referiu àquela reunião como sendo a última deste mandato (na verdade esta foi a penúltima assembleia); a segunda, quando referiu que Remísio Castro se encontrava à frente dos destinos da Junta há 12 anos (não são 12 anos, mas sim 16).
Remísio Castro, respondeu à questão do parque fluvial e da TaipasTuritermas, dizendo que aquele espaço sofreu uma intervenção profunda e que se o parque “não tivesse condições as pessoas não o frequentariam”. Depois a questão dos esgotos que, no entender do Presidente da Junta “é quase impossível de resolver”.

Tempo ainda para Manuel Ribeiro, presidente da Assembleia de Freguesia, reportar-se ao que Remísio Castro teria dito no início da sessão relativamente à nova direcção do Clube Caçadores das Taipas, atribuindo à sua constituição um cariz meramente político. Começou por lhe reconhecer o direito à opinião que formulou. No entanto, relembrou-o que na direcção de Carlos Marques no CART, “a Câmara não investiu um tostão no pavilhão. A partir do momento em que mudaram os órgãos sociais do CART a câmara começou a olhar o CART com outros olhos. Isso é política ou não? Quando são os outros a meter a cabeça (sem promessas de nada da CMG), o Sr. Presidente conclui que há segundas intenções nisso”.
Por sua vez, e sobre o assunto, Remísio Castro afirmou que “quem prejudicou o CART não foi a Câmara, foi o Sr. Carlos Marques e com a hostilização e infracção das regras da boa educação por parte do Sr. Carlos Marques. O CART é que foi prejudicado por isso”.

Os pontos seguintes foram adiados para a assembleia seguinte. O ponto 3 tratava da apreciação do inventário do património da freguesia, foi adiado por insuficiência de documentação. O ponto 4, que tratava da nomeação de 27 novos arruamentos e largos, foi também adiado por se tratar de um assunto muito delicado.

Festas da Vila no centro das discussões
Manuel Marques da Silva, ainda no período antes da ordem do dia, pronunciou-se fazendo um balanço à actividade da Junta desde o início do mandato, com especial ênfase para as promessas por cumprir, nomeadamente a questão do Campo de Golf, o arranjo dos Banhos Velhos, o melhoramento urbanístico do centro da vila, entre outros.
Seguiu-se Mário Dias que felicitou a nova Direcção do Clube Caçadores das Taipas, a quem desejou os maiores sucessos, e propôs um Voto de Louvor (aprovado por unanimidade) ao atleta do Clube de Pesca das Taipas que irá integrar a Selecção Nacional de Pesca Desportiva (Esperanças) no próximo Campeonato do Mundo da modalidade a disputar na Sérvia.
Por sua vez, Capela Dias, fez alusão às Festas da Vila, congratulando-se por a CDU sempre ter apoiado a organização destas nas mãos da Junta de Freguesia. No entanto, não deixou de fazer alguns reparos à “incompetente recolha do lixo anormalmente criado nesta altura e à já habitual falta de logística para alguns espectáculos (caso do Rock in Taipas que decorreu com as casas de banho públicas encerradas)”.
Estes comentários levaram Remísio Castro a questionar Capela Dias para o facto do tesoureiro da Junta (Constantino Veiga) estar ausente da reunião estar, ou não, directamente relacionado com aquela intervenção? Ao que Capela Dias prontamente respondeu com um “pela minha parte não!”.
Esclarecido este pormenor, Remísio Castro tomou a palavra e, ironicamente, comentou as palavras proferidas por Manuel Marques da Silva dizendo que as não tinha ouvido… por ele, propositadamente, ter falado de forma a que ninguém as conseguisse ouvir. Relativamente às festas mostrou-se plenamente de acordo com a facto de ser a Junta a organizá-las. Já os problemas de logística salientados por Capela Dias, segundo o presidente da Junta, terão de ser atribuídos à pessoa responsável pelas festas. “À Junta nada foi pedido para além daquilo que está a ser feito. Se houvesse um maior envolvimento da Junta e da Assembleia de Freguesia nas Festas, estes casos não se passariam”, referiu.
Armando Marques usou da palavra para perguntar a Remísio Castro se “as festas são organizadas pela Junta ou pelo seu tesoureiro?”.
De salientar ainda a ausência de Constantino Veiga, desde o início da reunião até boa parte da discussão do ponto 2 da ordem de trabalhos, segundo o mesmo, por motivos relacionados com a organização das festas de S. Pedro.

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