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Nem Bolonha trava o Judo
Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008

A Universidade do Porto foi a anfitriã de mais um CNU de Judo, que este ano se realizou em plena época de recurso. Ricardo Costa, aluno de Eng. Biológica e capitão da equipa de Judo da AAUMinho, foi um dos presentes nesta prova, tendo conquistado uma medalha de bronze. Para trás, e por realizar nesse mesmo dia, ficou um exame…

Espírito Guerreiro
Ao contrário de anos anteriores, o CNU de Judo desta feita foi organizado pela Universidade do Porto (UPorto) e não pela Associação Académica de Coimbra (AAC).
Com o deslocamento do local da prova para norte (a juntar ao facto de estarmos em época de exames e de não ser ano de Universiadas), as piores suspeitas confirmaram-se: muitas ausências de peso.

Convém aqui relembrar que o judo em termos nacionais está concentrado em dois grandes pólos de desenvolvimento: Lisboa e Coimbra

Se nas anteriores edições da prova, em categorias de peso como os -90kg e -81kg, víamos os melhores atletas nacionais, e que representavam mesmo a selecção nacional, este conjunto de factores foi determinante para que o nível competitivo do CNU tivesse um decréscimo significativo.

A UMinho também ela foi afectada por diversas condicionantes, não se podendo apresentar na sua máxima força. No feminino, Tânia Forte (RI) e Ana Gonçalves (Licenciada em Ensino Básico), ambas judocas medalhas nos SELL Games (competição multi-desportiva reconhecida oficialmente pela EUSA – European University Sports Association) não puderam dar o seu contributo à equipa. A primeira por motivos curriculares (exame), a segunda por motivos de ordem física (lesão muscular).

No masculino, os exames provocaram uma autêntica razia: metade da equipa não foi inscrita! Dos oito judocas inicialmente alinhados para participarem, quatro deles, entre os quais Joel Humberto (LEI), medalha de bronze nos +90kg em 2006, não puderam comparecer.

Quem optou por estar presente, tendo faltado mesmo faltado a um exame, foi o capitão de equipa, Ricardo Costa (Eng. Biológica). A este juntaram-se Tiago Mango (Eng. Civil), Bruno Costa (aluno de Mestrado em Português) e André Moreira (Mestrado em Eng. Electrónica).

Com os combates a terem início por volta das 11h da manhã, o primeiro judoca a conseguir uma medalha para AAUMinho foi André Moreira nos +90kg. Apesar de ter tido tudo para ter saído da Invicta, invicto, o peso pesado pagou muito caro um erro que lhe custou o ouro (nota: André Moreira combateu lesionado e contra recomendações médicas).

Bruno Costa nos -73kg, esteve também em plano de destaque ao vencer o seu rival da UPorto na luta pelo último lugar do pódio (Bruno participou nesta prova apesar de se encontrar a mãos com um lesão no seu ombro direito).

Mas o melhor estava guardado para o fim. A sorte ditou um duelo de companheiros de equipa pelo bronze nos -81kg. Tiago Mango e Ricardo Costa digladiaram-se entre si, tendo a sorte sorrido ao audaz capitão da AAUMinho, que projectou o seu companheiro, e amigo, em Kata Guruma, vencendo o combate pela vantagem máxima: Ippon.

Contas feitas, e com o término da competição, o balanço da prestação da delegação minhota neste CNU (4 atletas em provas – 3 medalhas conquistadas), foi extremamente positivo, algo que é referenciado nas palavras do técnico da AAUMinho, André Moreira, após o seu regresso a Braga.

“Estou muito satisfeito com a prestação dos meus atletas que demonstraram espírito guerreiro na procura dos objectivos que definimos no início do ano para esta prova: igualar, e se possível, superar os resultados obtidos no ano anterior, algo que conseguimos!”

Bolonha e as actividades extra-curriculares
Como já havia referenciado há uns tempos atrás em outro artigo relativo ao desporto universitário – “Bolonha complica vida ao futsal feminino” – e às complicações que o novo modelo de ensino veio trazer a este, urge solucionar este problema de compatibilidade (pelo menos nesta fase de implementação) entre actividades curriculares e extra-curriculares (desporto, cultura, associativismo, voluntariado, etc).

Atendo ao facto que UMinho é a única universidade portuguesa neste momento cujo Suplemento ao Diploma é acreditado pela Comissão Europeia, sendo 1 das 28 instituições europeias a quem foi atribuído o Diploma Supplement Label, mais urgente se torna pensar numa solução de compromisso para esta problemática.

Será justo pedir a um aluno para este faltar a um exame para ir representar as cores da sua Universidade? Sim, se esta se responsabilizar pela devida compensação (realização do exame noutra data), algo para o qual a grande maioria das Universidades não está sensibilizada, pois as suas apostas não passam pela formação extra-curricular e muito menos no desporto universitário (no qual não se revêem pois este não está directamente “nas suas mãos”).

Texto e Foto: Nuno Gonçalves *

* Em parceria com o Departamento de Desporto e Cultura dos Serviços de Acção Social da Universidade do Minho.

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