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Não são todos iguais
Sábado, Fevereiro 5, 2005

Nada de novo nos foi dito, nada que os portugueses não saibam e sobretudo sintam: em Lisboa e no Porto vive-se melhor, porque se ganha mais e com o mesmo número de euros se compram mais coisas.
Então, perguntar-se-á, qual o motivo do espanto?
É o espanto dos distraídos, dos que diariamente falam de um país que não existe senão nas suas prosas. É o espanto dos que com o que escrevem ou com o que dizem mascaram a verdade, vendendo falsas imagens de um país mais moderno e socialmente mais justo.
Mas é também o espanto dos hipócritas, dos políticos que nos governaram e governam, dos deputados que orçamento de estado a orçamento de estado aprovam propostas que em lugar de corrigirem as desigualdades sociais e económicas, em vez de construírem um país mais igual alargam a cova que separa pobres de ricos, que distingue regiões desenvolvidas de regiões subdesenvolvidas.
Os distritos do Minho, Braga e Viana do Castelo, figuram na cauda dos que recebem investimento público, medido por habitante. As contas não mentem. Ora o investimento público é um instrumento privilegiado para vencer atrasos e levar o progresso às terras abandonadas pelo capitalismo.
Os governos mudam, sai PSD e entra PS, sai PS e entra PSD, mas o essencial da política não varia, com os resultados conhecidos: o país cada ano mais longe da média europeia, cerca de 2 milhões de pobres, meio milhão de desempregados.
Seria injusto meter todos os políticos no mesmo saco. Na Assembleia da República há deputados que votam contra as medidas neo-liberais e há partidos que recusam avalizar pelo voto propostas que estão na origem deste estado de coisas. Por esses, dizer que os políticos são todos iguais é uma tremenda injustiça, além de grosseira falta de verdade. Só quem quer limpar a imagem dos autores materiais e políticos de opções políticas negativas para Portugal é que recorre à generalização como lixívia para lavar as mãos sujas.
Os deputados e os partidos não são todos iguais. Por exemplo, os deputados do PCP não só denunciaram as consequências da política de submissão ao pacto de estabilidade e crescimento, que, como se sabe, nem traz estabilidade e muito menos traz crescimento, como, coerentemente votaram contra e por isso não são iguais aos que as aprovaram.
Em nome da verdade e da justiça, declarar isto é o mínimo que se pode fazer a quem sabe ser fiel ao povo e, simultaneamente, é a denúncia de uma criminosa mentira que serve para encobrir e retocar favoravelmente a imagem política de quem tem culpas no cartório.

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Não são todos iguais
Segunda-feira, Janeiro 31, 2005

Nada de novo nos foi dito, nada que os portugueses não saibam e sobretudo sintam: em Lisboa e no Porto vive-se melhor, porque se ganha mais e com o mesmo número de euros se compram mais coisas.
Então, perguntar-se-á, qual o motivo do espanto?
É o espanto dos distraídos, dos que diariamente falam de um país que não existe senão nas suas prosas. É o espanto dos que com o que escrevem ou com o que dizem mascaram a verdade, vendendo falsas imagens de um país mais moderno e socialmente mais justo.
Mas é também o espanto dos hipócritas, dos políticos que nos governaram e governam, dos deputados que orçamento de estado a orçamento de estado aprovam propostas que em lugar de corrigirem as desigualdades sociais e económicas, em vez de construírem um país mais igual alargam a cova que separa pobres de ricos, que distingue regiões desenvolvidas de regiões subdesenvolvidas.
Os distritos do Minho, Braga e Viana do Castelo, figuram na cauda dos que recebem investimento público, medido por habitante. As contas não mentem. Ora o investimento público é um instrumento privilegiado para vencer atrasos e levar o progresso às terras abandonadas pelo capitalismo.
Os governos mudam, sai PSD e entra PS, sai PS e entra PSD, mas o essencial da política não varia, com os resultados conhecidos: o país cada ano mais longe da média europeia, cerca de 2 milhões de pobres, meio milhão de desempregados.
Seria injusto meter todos os políticos no mesmo saco. Na Assembleia da República há deputados que votam contra as medidas neo-liberais e há partidos que recusam avalizar pelo voto propostas que estão na origem deste estado de coisas. Por esses, dizer que os políticos são todos iguais é uma tremenda injustiça, além de grosseira falta de verdade. Só quem quer limpar a imagem dos autores materiais e políticos de opções políticas negativas para Portugal é que recorre à generalização como lixívia para lavar as mãos sujas.
Os deputados e os partidos não são todos iguais. Por exemplo, os deputados do PCP não só denunciaram as consequências da política de submissão ao pacto de estabilidade e crescimento, que, como se sabe, nem traz estabilidade e muito menos traz crescimento, como, coerentemente votaram contra e por isso não são iguais aos que as aprovaram.
Em nome da verdade e da justiça, declarar isto é o mínimo que se pode fazer a quem sabe ser fiel ao povo e, simultaneamente, é a denúncia de uma criminosa mentira que serve para encobrir e retocar favoravelmente a imagem política de quem tem culpas no cartório.

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