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Não, à leviandade
Segunda-feira, Setembro 5, 2005

Estamos cercados de cartazes por todos os lados. Publicidade e propaganda política a rodos. É o marketing comercial e eleitoral a funcionar.

Entre saldos e promoções, procuram visibilidade os prometedores de sonhos e utopias.

Por exemplo, o candidato pelo PSD de há muito nos observa, espia os nossos movimentos segue-nos com cara grave, aliás em conformidade com as mensagens que a fotografia ilustra.

Do lado do PS surge um sorridente António Magalhães, procurando exteriorizar mais confiança do que realmente sentirá.

E há outros exemplos, menos personalizados e mais políticos, desde os que sublinham as promessas por saldar, aos que reafirmam marcas de uma prática que os distingue.

Se no plano concelhio é este o panorama, a nível das Taipas as coisas serão idênticas, com o espaço público a ser disputado a metro por quem tem condições financeiras para o fazer.

Porque uma campanha eleitoral custa dinheiro e militância: quem tem dinheiro ou crédito investe em propaganda na ânsia de esmagar ou abafar a concorrência, ocupando lugares privilegiados com meios dispendiosos só ao alcance de alguns, poucos. Outros tentam compensar com trabalho e sacrifício a insuficiência de recursos financeiros, privilegiando o contacto directo, cara a cara.

Vista pela perspectiva da propaganda, a campanha fornece pistas interessantes que conduzem aos apoios abertos ou camuflados de que cada candidatura goza, na certeza de quem aposta e financia um candidato espera recuperar o investimento sob a forma de satisfação pessoal ou favores.

Na rua, nas rotundas e cruzamentos estão meios de propaganda de preço elevado, sendo que nalguns casos já lá moram há muitos e muitos meses, agravando o respectivo custo. Temos dúvidas se a lei estará a ser escrupulosamente respeitada, sendo conveniente que o organismo competente estivesse atento e agisse em tempo útil, repondo a legalidade eventualmente ofendida.

Pela minha parte, a campanha decorrerá como manda a lei. E além disso será tudo menos o lavar de roupa suja, o ataque pessoal ou o desfiar de promessas levianas de quem tudo promete por ignorância atrevida.

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