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Mudar de Vida
Quarta-feira, Dezembro 31, 2008

Se durante décadas o Norte foi declarado como região de trabalho, geradora de riqueza, motor da economia nacional, não é menos verdade que nesse mesmo período, a área correspondente ao que é hoje o Vale do Ave, contribuiu sobremaneira para essa visão grandiloquente dos predicados estratégicos da região Nortenha.

Concentrado numa estratégia orientada para a mão de obra intensiva, barata e desqualificada, o Norte de Portugal conseguiu passar incólume, às crises que se foram abatendo sobre o Sul e o Centro do país, mantendo taxas de desemprego, em geral, iguais à média nacional.

A realidade hoje é contudo completamente diversa daquela que se observava ontem. A região Norte já não se apresenta pujante e empreendedora, gerando, pelo contrário, um nível de desemprego superior à média nacional.

É nesta perspectiva desigual que devemos enquadrar o facto de 42% dos cerca de 440 mil desempregados registados em Portugal residirem na área convencionada como o Norte.

Acompanhando os valores do Norte, o Vale do Ave é hoje também uma região profundamente deprimida, desqualificada e sem esperança de melhores dias.

Tomando como referência o Concelho de Guimarães e reportando a 1991, registou-se nesse ano uma taxa de desemprego de 3,3%. Dez anos passados 5,6 % dos vimaranenses activos não tinham emprego. Actualmente 12,2 % dos vimaranenses convivem com o drama de não conseguirem trabalho. Isto é, em pouco mais de seis anos os desempregados em Guimarães mais do que duplicaram, sendo este fenómeno transversal aos trabalhadores desqualificados e aos mais qualificados jovens licenciados.

Estes valores permitem constatar que um fenómeno negativo particular domina o panorama social do nosso concelho, com naturais consequências para os estratos sociais mais desfavorecidos, obrigando hoje a Câmara a votar novos instrumentos de apoio, mas também para as freguesias mais afastadas do centro urbano, produzindo-se aí uma estatística mais violenta que torna a realidade mais dura.

O mundo, o país, o norte e o concelho mudaram e a actual maioria insiste nas mesmas políticas que praticou nos anos 90.

Impostos elevados para garantir uma base orçamental que lhe permita continuar uma mesma política de obras públicas, baseada em grandes equipamentos centralizados na cidade, agora ancorados na Capital Europeia da Cultura.

Ignora o facto de, apesar de ter prosseguido uma política orientada para uma concentração de população na cidade, a dita cidade dos 100.000 habitantes apregoada pelo Sr presidente na tomada de posse no ano de 2001, dos cerca de 95.000 habitantes que constituem a população urbana do concelho, um pouco mais de metade reside na cidade e a outra quase metade nas nove vilas.

Fez bem a população não ter aderido à política de concentração da maioria. É na dispersão que tem encontrado os melhores meios de resistir à actual crise económica, usando com imaginação, uma política agrícola de subsistência e estreitando os laços familiares e de solidariedade social só possíveis dada a proximidade.

Talvez por isso não haja muitas situações de fome e exclusão no nosso concelho.

É urgente mudar de política.

Assumir como primeira e absoluta prioridade da política autárquica o desenvolvimento económico e o emprego.

Empreender uma política descentralizadora capaz de ser justa para os munícipes do concelho e de desenvolver Guimarães.

Uma política de impostos que tenha em conta as dificuldades actuais das famílias, resistindo à tentação de aumentar sucessivamente as receitas municipais em detrimento dos orçamentos familiares.

Usar criteriosamente os fundos do Quadro de Referência Estratégico Nacional e os devidos à Capital Europeia da Cultura como instrumentos financeiros dum planeamento que concretize a reabilitação do edificado público e privado do centro histórico e zona tampão, como instrumento fundamental do desenvolvimento do turismo em Guimarães, que desenvolva a coesão territorial fomentando duas novas centralidades uma em torno da Vila das Taipas, ligando-a a Ponte, conquistando o rio para as populações e outra em torno das vilas de Moreira de Cónegos e Lordelo, contribuindo para inverter a actual tendência de recessão económica instalada particularmente na zona sul do concelho, que facilite os acessos das vilas à cidade e que implemente o ensino profissional de qualidade, adaptado às actuais e futuras necessidades industrias e agrícolas do concelho, como meio de eliminar o abandono escolar e preparar os quadros intermédios necessários à actividade económica do amanhã.

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