Mobilidade Congestionada
Sexta-feira, Novembro 25, 2016


Estou cada vez mais confuso com a “política” de mobilidade em Guimarães.

Existem diretrizes europeias e nacionais que foram já anunciadas como fazendo parte dos objetivos do Município. São exemplos disso a promoção dos modos suaves e transportes públicos, e a redução do uso do automóvel privado. No entanto, e apesar dos objetivos declarados, as ações têm-se revelado incoerentes.

Mais estradas no concelho, novos arruamentos na cidade, ou mais parques de estacionamento centrais, não vão contribuir em nada para a mobilidade que se pretende, bem pelo contrário. Assim como esta Ecovia, de caráter lúdico, vai ficar muito aquém de servir o propósito da mobilidade ciclável.

Esta minha confusão, passa por não entender como se decide realizar esses projetos, e só depois elaborar um Plano de Mobilidade Urbana Sustentável. Passa também, por ouvir o anúncio da pedonalização do centro histórico, para poucos meses depois haver um recuo na decisão. E passa ainda, pela contradição do discurso de membros do executivo camarário, sobre estacionamento no centro da cidade.

Sobre este assunto, o anterior Presidente da Câmara dizia que “não faltam estacionamentos, falta é civismo”. No atual executivo, temos a vereação que tutela a mobilidade a afirmar o mesmo – que não faltam estacionamentos -, e temos o Presidente da Câmara a afirmar precisamente o contrário. Em declarações divulgadas pela Rádio Universitária do Minho, lê-se: “Não podemos negar que há dificuldade de aparcamento em Guimarães. Se houver excesso de estacionamento, é preferível retirar o estacionamento de superfície e devolver as ruas aos cidadãos. Mas estamos longe disso.“

Não sei qual a posição oficial da Câmara Municipal, mas suponho que será a falta de estacionamento, pois na proposta para a declaração de utilidade pública e autorização de posse administrativa de imóveis, para a concretização do projeto do parque de estacionamento de Camões, a sua urgência, é justificada desta forma: “Por este conjunto de razões, a falta de estacionamento em Guimarães é consensualmente tida como o principal constrangimento sentido por residentes, comerciantes e visitantes e aquele cuja resolução se reveste de maior urgência, no sentido de corresponder à crescente procura e frequência no centro da cidade

O Instituto de Mobilidade e Transportes, tem disponível o denominado Pacote da Mobilidade, onde reuniu vários documentos enquadradores e orientadores das políticas de mobilidade, e onde se pode ler que “o estacionamento, pela sua ação enquanto elemento regulador da escolha modal é uma componente fundamental da política de mobilidade, e a sua gestão deve procurar contribuir para uma utilização racional do veículo privado a favor duma mobilidade mais sustentável”, afirmando ainda, que a antiga prática de ceder às pressões da procura de estacionamento nos centros urbanos é ineficiente e insustentável.

A mobilidade em Guimarães anda sem rumo certo, às voltas por aí, dá o pisca para um lado mas vira para o outro, entra em sentido contrário em vias de sentido único, num pára-arranca e marcha-atrás constantes. Pelos sintomas, diria que a mobilidade está congestionada!

Director da AVE – Associação Vimaranense para a Ecologia