Mexidas irreflectidas
Quarta-feira, Abril 23, 2008

A estrutura dos Campeonatos Nacionais, em algumas competições, é absurda e o que mais me espanta é o tempo perdido por “experts” na matéria, com estudos sobre a evolução da modalidade, essencialmente ao nível competitivo, sem qualquer tipo de reflexos na matéria.

Reporto-me essencialmente àquilo que se passa nos quadros da II e III Divisão Nacional, com a disputa de “play-offs” e “play-outs”, agora, para determinar os clubes que serão promovidos e despromovidos, respectivamente.

Até que ponto a competição fica mais interessante com a subtracção de metade dos pontos, colocando nas “mãos” de uns clubes a missão de lutar pela subida e nas “mãos” de outros a obrigatoriedade de espremer últimos argumentos para evitar uma despromoção!

Por outro lado, estou certo, a questão da manutenção, por exemplo, rapidamente ficará resolvida dado a diferença pontual (abismal) na classificação entre os clubes que estão no fundo das respectivas tabelas e aqueles que estão melhor classificados. Tudo isto, sem dúvida, resultará em dois meses de competição completamente desinteressantes na medida em que todas as questões que poderiam aquecer a competição ficarão resolvidas. Atente-se, por exemplo, às duas Séries da II Divisão Nacional (Série A) que estão na luta pela manutenção. Estão quatro clubes, em cada série, a lançar os últimos cartuchos, sendo que apenas o primeiro dessas séries está absolutamente tranquilo. Neste caso Camacha e Moreirense (ambos com 23 pontos) já tem lugar cativo entre os melhores desta prova. E, depois, há que apurar o melhor segundo classificado. Sendo que aí, apenas, poderá existir uma luta mais intensa. De resto, já se sabe, existem cinco clubes que têm o destino traçado… sem milagres.

Então, se o campeonato é uma prova de regularidade, não seria ideal que a prova se estende numa luta global? Como sempre foi? Do início até ao fim! E já que todos concordam que é necessário mudar algo, em prol do aumento da competitividade, porque não criar novas provas (está na moda) do tipo “competições europeias – internas” no sentido de estimular, ainda mais, os clubes que estão na luta pelos lugares cimeiros. Afinal de contas, há que premiar aqueles que apresentam melhores resultados. E não só o primeiro!

Certo é, para a nova temporada desportiva, vêm mais alterações. Ainda não foi desta que acertaram na reformulação dos quadros competitivos.