Meningite versus Vacinas
Quarta-feira, Julho 21, 2004

Este barulho, a meu ver despropositado, tem vindo a alarmar a nossa população que tem acorrido em massa ao seu médico de família, questionando-o quer sobre a verdadeira amplitude da doença, quer sobre as formas de a evitar, leia-se, vacinas.
Que o alarme não tem razão de ser pode-se constatar através da comparação dos casos verificados entre 1 de Janeiro e 20 de Fevereiro de 2001 e 2002.

Como se pode ver o número deste ano é inferior ao do ano passado e mesmo o número de mortes é inferior (até 15 de Fevereiro). De notar que a doença é sazonal com ocorrência predominante no Inverno e Primavera.
De referir que a meningite é uma doença de declaração obrigatória, isto é, o médico é obrigado por lei, sempre que verifique um caso, a comunicá-lo através de impresso próprio a quem de direito. Como estamos muito em cima da data, só até 15 de Fevereiro é que há dados fidedignos em relação aos óbitos.
No gráfico pode-se verificar que apenas em 1986 houve um número de casos bastante acima da média (e nesse ano não me lembro de tanto ruído na comunicação social como este ano). Tenho para mim que uma criança qualquer, tem várias vezes mais probabilidades de falecer de acidente de viação que meningite. A preocupação não me parece proporcional, quer na comunicação social quer nas próprias pessoas…

A meningite pode ser causada por bactérias, vírus e fungos. As vacinas disponíveis são apenas para as bactérias (para os tipos mais frequentes), de maneira que mesmo com todas as vacinas disponíveis ainda se pode ter meningite.
Neste momento faz parte do Plano Nacional de Vacinação (PNV) a vacina contra o Haemophilus Influenza, que produz a forma de meningite mais comum nas crianças dos 2 meses aos 6 anos de idade. É a chamada Hib Titer®.
Existem ainda no mercado mais duas vacinas:
* uma contra o Streptococus Pneumoniae que pode causar meningite na faixa etária sobretudo acima dos 6 anos (Prevenar®), mas que é administrada mais cedo porque confere protecção contra outras doenças provocadas por aquela bactéria tais como otites, infecções do trato respiratório superior e pneumonias, frequentes nas crianças abaixo dos dois anos.
* e outra contra a Neisseria Meningitides (Meningococo C), também frequente nas crianças acima dos 2 meses de idade (e a que se referem os casos relatados pela comunicação social), com os nomes comerciais de Meningitec® e NeisVac C®.

Deve-se vacinar? Como as novas vacinas podem assegurar protecção contra cerca de metade da doença meningocócica, reconhece-se a oportunidade de vacinação contra as doenças provocadas pelo meningococo C, mediante prescrição médica.

2002-03-02