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Mais de 280 mil…
Segunda-feira, Janeiro 31, 2005

…são as razões que levam a que este seja um artigo de choque e, ao mesmo tempo, de revolta, pelo simples facto de que muitas mortes poderiam ter sido evitadas, se, no Sudeste Asiático, existissem processos de detecção de maremotos, como no Pacífico. Mas pior fico, porque desconfio bastante de que esta tragédia teve mais impacto pois muitas das vítimas eram turistas de outros países.
Sabemos que as Placas Tectónicas se movimentam resultando daí libertação de energia. Porém, ao mesmo tempo, custa a aceitar que haja necessidade da Terra se manifestar com esta violência e que o Homem, que já foi à Lua, ainda só tenha conseguido inventar processos que lhe permitam prever apenas a magnitude dos sismos e não a data, a hora e o lugar da sua ocorrência.
As causas desta tragédia, infelizmente, são conhecidas. O que é difícil de antecipar são as suas consequências económicas, sociais e, principalmente, demográficas pois deste número impensável de vítimas – cerca de um terço – são crianças e jovens. Se fosse eu a mandar, criava uma lei que impedisse os pais de assistirem à morte dos seus filhos, bem como tentaria poupá-los da perda de um, pela vida de outro – como aconteceu com muitos – para que não fossem obrigados a enterrar os seus filhos, deles despedindo-se de forma tão aviltante. Deve ser uma dor e um vazio tal, sem par…

Como portugueses que somos, espero que, pelo menos uma vez, não coloquemos trancas à porta depois da casa roubada, que aprendamos com esta catástrofe e comecemos, desde já, a ter consciência de que estes fenómenos são cíclicos, que voltarão a acontecer em Portugal, obrigando-nos a investir em políticas preventivas integradas, numa eficaz fiscalização e a criar condições para que as instituições que estudam estes fenómenos e as que nos ajudam, quando eles acontecem, tenham (mais) condições para trabalhar.

No campo da solidariedade todas as ajudas e iniciativas foram e serão importantes. No entanto, destaco “A Caminhar com a Ásia no Coração”, organizada pelos Escuteiros do Círculo Norte de Guimarães, os quais conseguiram angariar, com o valor da inscrição numa caminhada, onde estiveram presentes cerca de 3 000 pessoas, mais de quinze mil euros, todos doados à AMI e Caritas.”

Pê éSses finais:
Em respeito para com as vítimas e familiares, os Pê éSses finais ficam, em silêncio, para o próximo artigo.

pauloix@clix.pt

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