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Livres para amar
Quarta-feira, Agosto 19, 2015

Somos livres para amar! A nossa liberdade termina onde começa a liberdade dos outros. A liberdade só o é de verdade quando cada qual, ao exercê-la, estiver atento aos outros, à vida e felicidade dos outros. A renúncia a um direito pessoal, se o bem do irmão o exige, não é uma limitação da liberdade, mas a maneira mais sublime de a exercitar. É no amor que se expressa a liberdade de toda a pessoa humana. Na verdade, quanto mais egoístas, mais escravos das nossas paixões.

Numa rua da cidade, praticamente todas as semanas, durante a tarde de sábado, um jovem liga os aparelhos de alta fidelidade e põe a música da sua preferência no volume máximo. Os sons da música preferida, que é música da pesada, ecoam por toda a rua.

Na mesma rua há, a essa hora, gente idosa que quer descansar um pouco; há pessoas que estão a trabalhar e desejariam o silêncio; há talvez doentes ignorados pelos vizinhos. Já alguém protestou várias vezes, mas passado pouco tempo volta a mesma música.

Este jovem é livre em ouvir música. Mas a sua liberdade termina onde começa a liberdade dos outros. Ele é livre, mas tem o dever de respeitar a liberdade dos outros.

Este exemplo, tirado da vida real, sublinha que a liberdade só o é de verdade quando cada qual, ao exercê-la, estiver atento aos outros, à vida e felicidade dos outros.

Sim, somos livres para amar! A renúncia a um direito pessoal, se o bem do irmão o exige, não é uma limitação da liberdade, mas a maneira mais sublime de a exercitar.

Na verdade, todos fomos criados por Deus com uma finalidade: amarmo-nos uns aos outros e sermos felizes! A liberdade é para estar ao serviço deste plano de Deus para cada um de nós. Fazer o contrário é agir contra a nossa natureza humana tal como o Criador a quis. É não sermos fiéis à vocação à qual somos chamados.

Para sermos livres para amar, necessitamos de, por vezes, remar contra a corrente.

Teremos de renunciar ao instinto do egoísmo, que nos leva a cada passo a ceder ao “homem velho”, querendo ignorar que é no amor que se expressa a liberdade de toda a pessoa humana. Na verdade, quanto mais egoístas, mais escravos das nossas paixões.

Teremos de renunciar ao meio ambiente, que nos envolve com uma cultura do individualismo. Embora se fale muito de solidariedade, o certo é que, na hora da verdade, cada qual se refugia na sua concha. De facto, habita em nós uma inclinação que nos leva a não fazermos aquilo que sabemos ser o bem, que é o de vivermos todos em comunhão.

Padre, escreve a crónica Juventude no jornal Reflexo