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Livre de seguir
Segunda-feira, Abril 9, 2012

Ao primeiro som a alma começa gradualmente a ficar limpa e a purificar-se para a descarga de emoções esperadas. Uma mescla de sombras cinzentas e de cores do arco-íris é atraída para o interior mais profundo ambientando o que está para vir. Antes de levantar voo, o sofá amolece, a almofada acomoda-se ao pescoço tenso e este ao espirito selvagem. Apagada a luz e o bilhete entregue, começa a viagem. (faixa 1)

Deixo-me levar pelo som progressivo. Não sei onde me levará, também não importa. A corrente não é traiçoeira, antes transparente e límpida. Os sopros finais agarrados a uma breve guitarra lutadora antevêem um caminho prometedor (faixa 2). Prossigo, o vento sopra de leve, consigo cheirar uma brisa apaziguadora, não há tormenta (faixa 3). A paz impera sobre um castelo sem muralhas mas mesmo assim inexpugnável. Os campos há minha frente perdem-se na vista. Atinjo a linha do horizonte onde não há mar, o sol brilha doce e imune. Pequenas nuvens brancas pairam no ar assumindo moldes incoerentes entre si mas de alguma forma padronizadas e ritmadas, vivas, com consciência (faixa 4). Os sons que libertam são terapêuticos para os ouvidos cansados do ardor do dia, entretanto o sol já não brilha tão forte (faixa 5). O algodão orgânico do ar ganha cor. Escurece, descargas eléctricas, ferozes e atormentadas mas acarinhadas por uma mão permanente e invisível deixam-me sem ar (faixa 6).

Tudo passa, é hora de marcar a diferença e de a tornar audível. Surgem as estrelas, nunca estiveram tão próximas. O corpo cego pela luminosidade permite a alma levitar e voar incontrolável (faixa 7).

A viagem tende em não encontrar o seu limite, e ainda bem porque estou a gostar. Avisto uma ave estranha que me parece querer mandar uma mensagem. Persigo-a, é rápida de mais, interpreto-a mesmo assim. Incita-me a continuar, a seguir o meu caminho e não parar enquanto houver forças para voar (faixa 8).

Nunca estive tão longe, sozinho, mas tão bem acompanhado. O corpo já vê, a alma volta a fundir-se, corro sem parar. O cansaço não vence a vontade de prosseguir (faixa 9).
Mais de metade do caminho está percorrido e ainda desconheço a sua verdadeira finalidade, pouco importa, não estou parado.

Encontro-me no cimo. Desta vez não há nuvens, se as houvesse estaria acima delas. Grito, canto, ouço um coro em potente e imbatível uníssono. Sinto-me no desconhecimento temporal e físico, sabe tão bem (faixa 10).

Agito-me e desço vertiginosamente. Tenho de acompanhar o ritmo. Sou selvagem, primitivo, singularmente livre. A estranha ave paira sobre mim, avistando-me do alto. Continuo, é impossível parar (faixa 11).

Volto a ser só eu, ou nós..ou simplesmente apenas eu. Meditação profunda, barafunda poética, arame farpado (faixa 12).

Jornada terminável, sensações vividas. Imaginação estimulada, últimos intensos e saborosos acordes, corte repentino, olhos abertos, sentimento de puro prazer, sorriso nos lábios pelas emoções criadas e suscitadas (faixa 13).

Nota: Terceiro álbum dos britânicos The Maccabees, denominado Given to the Wild. Dia 15 de Julho no Optimus Alive com The Kills e Radiohead. Melhor?

Bem, melhor só ir a Camp Nou ver o Mourinho a ganhar ao Barcelona e sagrar-se campeão de Espanha.