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Liderança racional
Quinta-feira, Agosto 2, 2007

“Fazer grandes coisas é difícil; mas comandar grandes coisas é ainda mais difícil”
por Friedrich Nietzshe

Na crónica desta edição, reporto-me exclusivamente ao momento do Vitória de Guimarães, depois do (merecido) regresso ao escalão maior do futebol português. Emílio Macedo da Silva – eleito presidente da direcção em Março – entrou a “matar” e ganhou logo a primeira aposta. Quando o barco parecia “encalhado”, eis que se levantaram novas ondas, levando a nau a bom porto. E em muito se deve à liderança e trabalho, aplicado pela nova direcção.

Emílio Macedo da Silva e seus pares, merecem o respectivo reconhecimento. Em pouco mais de três meses conseguiu ainda a proeza de concretizar a transferência dum futebolista das camadas jovens (Rabiola) para um grande clube. Tal já não acontecia desde a saída de Pedro Mendes para o FC Porto (2003). Os clubes da dimensão do Vitória, mais do que nunca, devem rentabilizar os seus “produtos”. Os sócios devem compreender que é tudo uma questão de gestão… Isto são factos.

Já que estamos numa de camadas jovens, convém ainda distinguir o trabalho levado a cabo pelo taipense Armando Marques na gestão do futebol juvenil do Vitória de Guimarães. Depois de um final de época entusiástico, com a equipa de juvenis a lutar até à última jornada pelo título nacional da categoria – como há muito não se via – regista-se a coerência e serenidade perante (algumas) decisões relativas ao presente e futuro. Apesar de muitos reclamarem uma “limpeza” no futebol juvenil (mais uma!!!), propalada por algumas personalidades menos vistosas, durante campanha de Emílio Macedo da Silva, eis que nada disso se passou. Ainda bem. Apenas acontece os ajustamentos que parecem convenientes numa estrutura aparentemente sólida. Vai daí, treinadores competentes e evoluídos como Rogério Rodrigues e Luís Filipe viram renovada a confiança nos serviços prestados ao clube. E ainda bem que assim é, pois parecia estar “montado” um novo quadro de treinadores para esta área, ainda que sem qualquer prova ou experiência no exercício das tais funções que estavam prometidas. Um bom líder é aquele que sabe ouvir e não se deixa levar pela voz dos outros, por isso aqueles que tomam decisões no Vitória de Guimarães parece que aprenderam bem com os erros de um passado recente.

Entendo que direcção liderada por Emílio Macedo da Silva mantém o barco a navegar para norte, com resultados positivos em tão pouco tempo. Mas o tempo vale o que vale, tal como o poeta Fernando Pessoa defende: “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”.