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Liberdade do Mundo
Terça-feira, Outubro 20, 2015

A esperança de uma nova terra, que já existe misteriosamente mas ainda não aconteceu na sua realização, deve motivar os crentes no empenho em trabalhar corajosamente onde se luta pela liberdade.

Em 1886 foi instalada à entrada do porto de Nova Iorque a estátua da liberdade, cujo nome completo é: “Estátua da Liberdade iluminando o mundo”.

Trata-se de um gigantesco monumento que se converteu num símbolo da cultura Ocidental. Com esta estátua quis-se comemorar a abolição da escravatura, os direitos humanos proclamados durante a República Francesa… e outros similares.

Esta estátua foi uma oferta da França aos Estados Unidos da América, simbolizando a união destes dois povos na defesa da liberdade. Pode dizer-se que com esta estátua se levantou um monumento a todas as pessoas que se empenharam a favor da dignidade do género humano. Contudo, o caminho para a liberdade ainda não terminou. Há no mundo ainda muito para fazer e, enquanto houver uma pessoa escravizada, privada de liberdade, seja ela de que género for, não nos podemos sentir verdadeiramente felizes.

Diz um documento do Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes (Alegria e Esperança), sobre o mundo contemporâneo: “Para os que têm fé, uma coisa é certa: a actividade humana, individual e colectiva, ou aquele esforço gigantesco com que os homens se atarefam ao longo dos séculos para melhorar as condições de vida, considerado em si mesmo, corresponde à vontade de Deus. O homem, na verdade, criado à imagem de Deus, recebeu a missão de submeter a terra e todas as coisas que nela existem, de governar o mundo na justiça e na santidade” (GS 34).

Por conseguinte, o esforço de todos os homens por acabarem com tudo o que oprime o homem e fazer com que ele se sinta o senhor de toda a criação, corresponde ao projecto de Deus. Ele quer que façamos deste mundo uma pátria da liberdade, onde todos os cidadãos possam andar de cabeça erguida e felizes. Não importa neste mundo ter muitas coisas; o importante é ser verdadeiramente livre, segundo essa liberdade para a qual Cristo nos libertou.

As ideologias anunciaram uma nova era de liberdade. Elas vão morrendo e os seus sonhos vão-se desvanecendo. Mas os cristãos têm a Boa Nova do Evangelho que proclama a liberdade dos filhos de Deus, rejeita toda a servidão e anuncia que as sementes de liberdade semeadas na terra servem misteriosamente para o mundo futuro. Os cristãos têm como certo que surgirá uma nova terra onde todos viverão em perfeita e total liberdade.

Ignoramos o tempo em que virá o fim da terra e da humanidade. Mas sabemos que nesse último dia acontecerá a libertação total: libertação do mal, do egoísmo e da morte. (Cf. GS 39). A esperança de uma nova terra, que já existe misteriosamente mas ainda não aconteceu na sua realização, deve motivar os crentes no empenho em trabalhar corajosamente onde se luta pela liberdade.

Todos os valores da dignidade humana, de comunhão fraterna e de liberdade que foram semeados ao longo da história servirão misteriosamente para fazer os alicerces desses “novos céus e nova terra”.

Padre