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Liberdade
Sexta-feira, Junho 12, 2015

A palavra liberdade exerce um fascínio irresistível em nós. Evoca imediatamente todo o campo de liberdades no plural, isto é, as diversas possibilidades de exercer e verificar a liberdade de cada um de nós: liberdade de palavra, de imprensa, de associação, de religião… Em nome desta liberdade fizeram-se grandes revoluções na história, como por exemplo a Revolução Francesa, cujo lema era “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, e a nossa Revolução de Abril de 1974 – a Revolução dos Cravos -, que nos conquistou a liberdade e a democracia. A palavra Liberdade está na boca de todos os políticos.

Indo mais além, esta palavra evoca aquilo que existe no íntimo do coração de cada pessoa, que é a necessidade de manifestar a sua autonomia, esta capacidade da pessoa de agir por si própria. A liberdade é fruto comum da inteligência e da vontade.

É a liberdade que define a pessoa humana; esta liberdade traduz-se e verifica-se na aptidão para fazer escolhas concretas e limitadas, diante das quais se encontra constantemente colocada toda a vida humana. Todas as pessoas sentem como é importante esta liberdade e como esta deve ser orientada para o bem.

A liberdade, uma palavra tão rica e que evoca em cada pessoa certamente sentimentos diferentes conforme a sua experiência humana, pode ser apresentada em três vertentes ou perspectivas: a liberdade pessoal, a liberdade para amar, a liberdade no mundo. É isso que faremos neste artigo e nos próximos dois.

A LIBERDADE PESSOAL

Comecemos por ler o testemunho de um jovem. “Os meus pais dizem que devo fazer o possível para sair da droga. Pobres velhos! Eu deixarei de me injectar quando me apetecer, porque sou mais forte que ela, mas sinto-me bem tal como agora me encontro. Quando tenho problemas ou me vem a depressão, ela ajuda-me a ver tudo cor-de-rosa. Não me interessa que digam que me estou a destruir pouco a pouco, porque a minha vida há muito tempo que deixou de ter sentido. Nem me interessa que os meus amigos não me liguem ou que a minha namorada me tivesse deixado por outro. O único importante é que a heroína continua a ser-me fiel. E tenho a certeza de que o será até ao fim. Que mais posso pedir?”

Este jovem diz que faz o que lhe apetece. Considera, na prática, que ser livre é fazer o que lhe dá prazer, seja o que for. É a subjectividade em toda a sua força, sem se ter em conta que fomos criados para utilizar a liberdade para crescer no bem. E o resultado desta anti-liberdade do drogado é a falta de sentido para a vida, a escravidão da pessoa pela droga, a morte em plena juventude.

A liberdade pessoal, dom recebido e que nos dá a dignidade de pessoas humanas, é verdadeiramente liberdade quando a inteligência e a vontade buscam o bem.

A inteligência oferece-nos as motivações para nos orientarmos na direcção de um determinado bem. E a vontade leva-nos a mover-nos em direcção a esse bem.

Daqui a importância da iluminação das inteligências e do fortalecimento das vontades, para que cada um de nós, nas mais diversas circunstâncias do seu quotidiano, veja o que é conveniente e actue em conformidade. Precisamos de saber quais os valores que nos humanizam.

Esta liberdade pessoal é algo de dinâmico, isto é, que se vai exercitando e crescendo à medida que o tempo passa e que vamos fazendo opções verdadeiramente livres.

O crescimento humano é uma história de liberdade. Desde a criança que não tem o uso da razão até ao adolescente que se deixa cativar pelo esplendor da liberdade. E na idade adulta podemos encontrar pessoas que nunca descobriram o que é a liberdade humana. Não vivem de rosto erguido, livres, mas escravizadas. Encontramos os escravos do poder, do dinheiro, do sexo, do prazer, da droga… Não perceberam que a liberdade humana deve estar ao serviço de um projecto de vida digno da nossa condição humana.