Justificando a nomeação de José Luís Oliveira para a presidência da Taipas-Turitermas, António Magalhães referiu que a nova Junta PSD das Taipas não merece a confiança Política do seu partido.
Quarta-feira, Novembro 2, 2005

Na primeira reunião da Câmara após a eleição de 9 de Outubro, foram aprovados por seis votos contra cinco, os representantes da Câmara nesta cooperativa. Assim, Carlos Remísio Castro estará na Assembleia Geral, o vereador Domingos Bragança, presidente do Conselho Fiscal e José Luís Oliveira, presidente da Direcção.
Contrariamente aos últimos anos, em que o presidente desta cooperativa era o presidente da Junta, a autarquia liderada por António Magalhães optou pelo candidato socialista derrotado nas últimas eleições em Caldelas. Como o próprio presidente da Câmara afirmou no final da reunião, a nova Junta PSD “não merece a nossa confiança política”.

Questionado sobre as razões que levaram a Câmara à escolha de José Luís Oliveira, António Magalhães foi claro na resposta, afirmando que nunca iria designar uma pessoa de um outro partido, para um espaço da sua confiança. “São razões de índole pessoal. Se a Junta não merece confiança política não vai liderar a Taipas-Turitermas, era o que faltava. A Junta não tem a confiança político-partidária da Câmara Municipal de Guimarães”. No entanto, como acrescentou, “esta designação para a Turitermas não significa que a Câmara não pode trabalhar com a Junta de Freguesia”.
Confrontado se esta designação seria, desde já, o preparar do terreno para as próximas eleições, a resposta ainda mais clara foi. “E porque não?” Assume que é uma estratégia? “É uma estratégia que tem a ver com as qualidades que nós reconhecemos no José Luís Oliveira. É um patamar [Turitermas] de intervenção local que nós queremos que ele tenha, para mais facilmente poder demonstrar aos taipenses que tem condições e capacidades para o cargo que está a executar.” António Magalhães foi ainda confrontado se, nestas circunstâncias, não estaria a aproveitar uma cooperativa municipal para promover uma pessoa. “Não estou a aproveitar. Estou a co-locar nas cooperativas municipais pessoas da minha confiança, que são espaços de intervenção e que permitem aferir da capacidade de pessoas que são, neste caso, quadros do PS.” Voltou a ser questionado se, neste caso, as cooperativas municipais servem para que o PS forme quadros político-partidários. “Em todo o sítio onde há uma responsabilidade que tem de ser assumida pela Câmara, terão de estar pessoas que nos estão mais próximas e às quais nós reconhecemos capacidades para desempenhar essas tarefas” .
O Presidente da Câmara afirmou ainda que a nomeação de José Luís Oliveira se deveu a uma confiança política e pessoal e que este tem condições para desempenhar uma boa intervenção.
Finalmente, foi perguntado a António Magalhães se não seria difícil de perceber pela população, a nomeação para a Turitermas de uma pessoa que foi sufragada e que sofreu uma derrota eleitoral. O Presidente da Câmara referiu que “uma coisa não tem a ver com a outra”. Socorrendo-se do que se passará a nível nacional referiu que “Aquilo que se vê é a nomeação para cargos de grande proeminência de pessoas que sofreram grandes derrotas eleitorais. A Turitermas não é uma espécie de gaiola dourada, onde há um bom orçamento, um bom ordenado e pouco trabalho.”
O PSD, através de Rui Vítor Costa, reagiu, no final da reunião camarária, à nomeação de José Luís Oliveira para a Taipas-Turitermas.
Este vereador social-democrata manifestou a sua preocupação e discordância por esta nomeação. “Depois de um acto eleitoral que foi claramente favorável ao PSD, numa cooperativa onde o seu presidente da direcção tem sido o presidente da Junta, neste momento surge aquele que concorreu contra o arquitecto Constantino Veiga. Estamos a começar mal, espero que as empresas e cooperativas municipais não sejam os Cavalos de Tróia que se querem instrumentalizar no sentido de tentar derrotar aquilo que o povo votou nas urnas. Estas propostas têm um carácter eminentemente político. O PS não teve a preferência dos eleitores em Caldelas e a Câmara coloca uma pessoa para se ir preparando para novas eleições e ter uma posição diferente. As empresas e cooperativas são para servir Guimarães e não o Partido Socialista.”

Alfredo Oliveira
alfredo@reflexodigital.com

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