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Junta de Freguesia acusa Câmara de tratamento discriminatório
Quarta-feira, Junho 2, 2010

Pela voz do seu tesoureiro, Armando Marques, foram referidos inúmeros exemplos do tratamento a que Junta de Freguesia de Caldelas tem sido sujeita pela Câmara Municipal de Guimarães. Tratamento que considera discriminatório.

“(…)O Cemitério. Desde a aquisição do terreno, construção do muro, aterro e fazer a obra, a Câmara deu-nos 60 mil euros. Nós, em custo efectivo temos um deficit, já gasto – e a obra ainda não está terminada – de 43 mil euros. O argumento foi: «vocês têm a feira» – assim, seco!”

“(…)Gastamos em arranjo de ruas que estavam vergonhosas, mais de 113 mil euros, com a promessa de receber mais tarde. A Câmara não nos deu um cêntimo. São obras da sua competência. (…) O argumento é que «vocês têm a feira»”.

“Compramos um tractor que está 80% do seu tempo ao serviço da Câmara (…) que custou (novo) 33 mil euros. A Câmara disse que não nos dava dinheiro nenhum e o argumento foi «vocês têm a feira». (…) A junta de freguesia de Moreira de Cónegos, comprou um tractor usado que custou 22 mil euros – a Câmara deu um apoio de 20 mil”.

(…) o argumento é sempre o de «vocês têm a feira». Isto não é gozo. É efectivamente o que eles dizem”.

“Agora vamos à feira. Quando cá chegamos, a rentabilidade máxima que o anterior executivo tinha retirado da mesma (máximo num ano) foi de 57 mil euros. O pior desempenho que este executivo teve na rentabilidade da feira foi de 127 mil euros. Chegamos a ter num ano 168 mil euros de rentabilidade da feira. (…) Nós fizemos o que nos competia. Olhámos para a feira e tentamos rentabilizá-la. Agora, se a estratégia é penalizar quem faz boa gestão?! Aí calma. Todos temos orgulho próprio”.

“Temos um custo anual na ordem dos 15 a 20 mil euros com a segurança da feira. Foi pedido para que a Câmara nos desse apoio com a colocação no local da polícia municipal, dizem que não têm efectivos que chegue. (…) Para as Festas de S. Pedro gastamos cerca de 4 mil euros com a segurança, principalmente para o dia da procissão, dizem-nos que temos azar. As festas realizam-se no período que coincide com as férias da polícia municipal”.

“Foi adjudicada a construção do Centro Escolar das Taipas. Sabemos pelos jornais e pelas agendas da Câmara que a obra vai começar. (…) A junta de freguesia, órgão autárquico eleito democraticamente num país livre, não tem conhecimento nenhum sobre a obra (…). Os pais solicitam-nos informação e nós não a sabemos dar”.

“(…) Fizemos o arranjo do Coreto. Pedimos apoio à Câmara. O Sr. Dr. Domingos Bragança sugeriu-nos a colocação de uma placazinha com a inscrição do apoio da edilidade à obra – que ainda lá está – que depois se arranjaria uma forma de nos apoiar. Fizemos a obra e fomos lá com as facturas. Disseram-nos «vocês têm a feira». Deram-nos zero!”.

“Fizemos o arranjo do Mercadinho e gastámos lá uns milhares de euros. Com a mesma história. Façam a obra e depois nós arranjamos aqui uma forma. Deram-nos zero”!

“Fazemos umas Festas da Vila com Feira do Livro, do Artesanato, Festival de Folclore, Desfile Etnográfico, entre outras coisas… para eles, é cultura. Para nós, é festas. É o que eles pensam. Para nós é festas. Para eles é cultura”.

“O Centro Cívico de Moreira de Cónegos, tinha um orçamento de 38 ou 48 mil euros. A Câmara Municipal deu 227 mil, para a mesma obra. A Junta de freguesia de Calvos, tinha um orçamento para uma Capela Mortuária de 60 mil euros. A Câmara Municipal deu 180 mil”.

“(…) Tudo o resto são migalhas. E nós, nem migalhas vemos porque «temos a Feira», segundo eles. É uma descriminação de milhares para milhões”.

“Acho que de uma forma séria e, mudando de registo… até posso assumir que poderá ser uma ameaça velada que, numa primeira fase, nunca poderá ser pelo separatismo, ou reivindicar o que quer que seja… e se reivindicarmos, que seja só aquilo a que temos direito… acho que temos de marcar posição. Já que o presidente da Câmara se recusa a receber a Junta de Freguesia das Taipas, aproveitando o facto das reuniões públicas da Câmara se realizarem a cada 15 dias e, para que não seja uma posição isolada do presidente da junta, o executivo deve lá ir e convidar todos os elementos da Assembleia de Freguesia, mesmo os da oposição (e se eles não forem que digam que não vão), convidar algumas instituições desta terra e ir uma delegação das Taipas e o presidente da Junta ler um texto que deverá ser aprovado por todos e dizer «meu amigo, isto vai ter de mudar. Nós, ou somos respeitados, ou então vocês têm que arcar com as consequências»”.

Tudo o que acima é referido, foi parte do que se passou na passada reunião do executivo da Junta de Freguesia de Caldelas, realizada no dia 29 de Maio. Armando Marques começou por elencar um ou dois exemplos mas, com o avançar do discurso, as situações foram sendo explanadas de forma cada vez mais incisiva e convicta, em jeito de desabafo, por alguém que, como admitiu Armando Marques, se sente “entalado” e revoltado.

Todos os elementos do executivo, à excepção de Sara Silva que esteve ausente, referiram rever-se no discurso de Armando Marques e foram unânimes em partir para um pedido de audiência ao presidente da Câmara de Guimarães. Caso, por essa via, não consigam levar o seu descontentamento até Santa Clara, manifestaram a intenção de tentar envolver todos os deputados da Assembleia de Freguesia e fazê-lo de forma conjunta numa das reuniões quinzenais dói executivo vimaranense.