Jornalistas de “O Primeiro de Janeiro” nas Taipas (1922)
Sexta-feira, Dezembro 2, 2016

Ao folhearmos as edições do “Jornal das Taipas”, o primeiro jornal editado nas Caldas das Taipas (1921-1924), encontrámos a referência de que a 4 de junho de 1922, o corpo redatorial deste jornal diário portuense visitou a estância termal e turística das Taipas, realizando nesta povoação (vila a partir de 1940) a sua festa anual. Na primeira página do “Jornal das Taipas” era dado destaque à visita dos jornalistas de “O Primeiro de Janeiro”, sendo dadas as boas vindas e saudações a estes jornalistas da imprensa periódica.

“O Primeiro de Janeiro” é um jornal diário que se publicou na cidade do Porto pela primeira vez em 1 de dezembro de 1868. Contou entre os seus colaboradores dos mais prestigiados intelectuais da época, a saber: Camilo Castelo Branco, Alberto Pimentel, Guilherme de Azevedo, Guerra Junqueiro, Latino Coelho, Ramalho Ortigão, Antero de Quental, Oliveira Martins, Eça de Queirós, António Nobre, entre outros.

Igualmente nessa edição de 4 de junho de 1922, era noticiado de que o estabelecimento termal e o Hotel das Termas tinham aberto a época balnear a 26 de maio, e de que entre vários distintos hóspedes portuenses se encontrava Jorge de Abreu, diretor de “O Primeiro de Janeiro”. Jorge de Abreu que tinha vindo do jornal “O século”, de Lisboa, foi diretor de “O Primeiro de Janeiro”, de 2 de outubro de 1919 a 14 de Abril de 1923. Este periódico tinha na época a sua sede na rua de Santa Catarina, no Porto, sendo durante várias décadas uma referência na imprensa nacional.

Além deste prestigiado jornalista, através desta edição do semanário “Jornal das Taipas”, temos conhecimento de que se encontravam hospedados no Hotel das Termas edificado pela Empresa Termal das Taipas S.A.R.L., as seguintes individualidades: Dr. António Ramalho, médico no Porto; Emílio de Azevedo, gerente da casa bancária Pinto & Soto Maior, do Porto; Manuel Domingues dos Santos, engenheiro, chefe dos Caminhos de Ferro do Minho de Douro; Luís Cunha, capitalista de Braga; José Leite, comerciante no Porto; D. Gracinda Amaral Barros, do Porto; Bento Rodrigues Souza Sobrinho, capitalista, do Porto; e Francisco A. Guimarães e Marcelino Silva, inspetores dos Caminhos de Ferro do Minho e Douro.

Podemos dizer, que nesta época, tanto no Hotel da Termas e no Grande Hotel Vilas (primeira unidade hoteleira desta povoação) encontrámos conceituados hóspedes, que no campo cultural, artístico, político e industrial eram uma referência a nível nacional. A dinâmica do termalismo e da indústria hoteleira taipense, na década de 20 do século XX, está bem patente no conforto destes estabelecimentos hoteleiros e no estabelecimento termal (“Banhos Novos”) frequentados por ilustres visitantes.