Jesus e as Taipas
Terça-feira, Agosto 7, 2012

Sempre que eu podia – e a maior parte das vezes não podia, por motivos financeiros – frequentava os espectáculos do poço da morte.

Sentia-me atraído. Tinha ao mesmo tempo admiração pelos motociclistas circulando a alta velocidade, subindo e descendo, cruzando-se, e temor que chocassem uns com os outros, estatelando-se no fundo.

Da leitura da proposta de parecer aprovada pela assembleia de freguesia sobre a anexação das freguesias circunvizinhas, apresentada pelo PSD, descortino nas suas seis páginas vestígios de uma atracção fatal que me trouxe à memória as sensações contraditórias que o poço da morte me provocava.

Também Taipas se acha dotada de um poder sedutor que exerce sobre as freguesias à sua volta um efeito de atracção fatal que irremediavelmente as condena ao desaparecimento voluntário.

Sabe-se que não é bem assim. Ou melhor, sabe-se que esse é o tipo de narrativa que Taipas faz, mas que as potenciais vítimas da Taipas não avalizam. Sem procurar ser exaustivo, remeto para o trabalho recentemente apresentado pelo PCP/Taipas colhido junto de algumas das freguesias em risco de anexação. A tese de que as freguesias circunvizinhas aceitam pacificamente ser devoradas cai pela base. Na generalidade recusam os apetites necrófilos do PSD/Taipas.

A proposta de parecer não mostra as eventuais vantagens do putativo alargamento dos actuais limites territoriais. Está mais empenhada em filosofar sobre a centralidade que Taipas é – e nesse sentido é despiciendo perorar sobre uma evidência – do que em apresentar argumentos substantivos capazes de convencer as vítimas e os relutantes.

Só mentalidades imperialistas ignoram ou subestimam a opinião dos ocupados. Só cabeças ocas sobrepõem a opinião do carrasco à opinião da vítima.

Se a reforma administrativa das freguesias for para a frente tal como previsto na lei da coligação PSD/CDS, mais tarde ou mais cedo assistiremos a movimentações no sentido de a) rebaptizar a nova realidade administrativa, porque mantê-la sob a designação de Taipas vai gerar anticorpos e focos de instabilidade permanente. Então, Taipas e as freguesias incorporadas à força perdem identidade, tornando-se uma amálgama e quem prometer o contrário não pode garantir o que promete; b) instalar a sede e centro da nova freguesia de acordo com as novas fronteiras, com Taipas a deixar de ser o centro, passando a periferia.

Taipas conquistou e consolidou uma posição de destaque no plano concelhio de Guimarães que corre o risco de perder por força da miopia e incompetência de quem dirige.

Ainda que por outra via, o PSD/Taipas prossegue os testes de usar a Junta para chegar à Câmara, tal como Jorge Jesus testa avançados para tapar o buraco do defesa esquerdo. Ambos trituram ingénuos e inocentes. Ambos são teimosos até à perda de lucidez. Um e outros estão condenados ao falhanço.