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Isto não pode parar!
Sábado, Maio 7, 2011

Assistimos, nos últimos tempos, principalmente depois da chegada a Portugal da designada por “Trika”, constituída por técnicos do FMI, da EU e do BCE, a uma imensa especulação acerca do que virá a acontecer, nomeadamente quanto ao tipo de consequências que poderão advir para a vida dos cidadãos. Muitas destas consequências que se tentam adivinhar têm como referência o que aconteceu na Grécia e na Irlanda.

Não sendo especialista na matéria, penso, no entanto, que a receita deverá andar bem perto da adoptada naqueles países, o que se traduzirá em medidas bastante duras.

Como cidadão com responsabilidades numa Autarquia Local, para além dos esperados, alguns já concretizados, cortes nos salários, pensões ou subsídios, fico bastante apreensivo com o espírito de desânimo que se vem notando nas pessoas e com a falta de perspectiva de futuro que as vai tolhendo, comprometendo a busca da energia necessária para resistir às dificuldades.

Perante a inevitabilidade da necessidade de redução da despesa pública, importa, acima de tudo, que os responsáveis assumam, com coragem, opções que possam ser entendidas pelo povo como justas, que quem mais pode contribua com mais e se acautelem as situações dos mais carenciados e dos mais vulneráveis. Isto só se fará, na minha opinião, com a manutenção de um Estado Social justo, que corte onde deve ser cortado, mas que mantenha o que deve ser mantido.

Pela nossa parte, os que no terreno terão que continuar a luta diária, importa que tenhamos presente que Portugal, um pequeno país orgulhoso da sua História e que ultrapassou diversas dificuldades, tem futuro.

Se conseguirmos a solidariedade e união de esforços necessários, se percebermos que a justiça na distribuição dos sacrifícios é uma realidade e se, com imaginação, encontrarmos os caminhos para um crescimento económico sustentável, assente na criação de riqueza, o que implicará que cada um, no seu posto de trabalho ou na sua actividade, possa dar o seu melhor do seu esforço, tenho a certeza de que “isto não pode, nem vai parar”.