Investigador taipense de 28 anos premiado no Japão
Terça-feira, Janeiro 10, 2006

O investigador taipense, Miguel Oliveira (para alguns Joaquim Oliveira), conquistou o prémio para melhor apresentação oral num encontro internacional sobre materiais cerâmicos para medicina realizado em Dezembro em Quioto, no Japão.

A investigar na Universidade do Minho, Miguel Oliveira recebeu o prémio pela apresentação de uma técnica inovadora na preparação de suportes utilizados em aplicações ósseas, no encontro “Bioceramics 18”.
Este encontro anual reúne investigadores, cientistas, fabricantes, médicos, dentistas e cirurgiões de todo o Mundo, interessados no desenvolvimento de materiais cerâmicos para medicina.

Miguel Oliveira explicou à Agência Lusa que está a desenvolver um novo biomaterial que deverá permitir a regeneração simultânea de osso e cartilagem, o que é inovador a nível mundial.“A maioria dos materiais que existem são para regeneração do osso. Para cartilagem, são muito poucos, e não há nenhum material que possa ser usado simultaneamente na regeneração de osso e cartilagem. O que se pretende é preencher essa lacuna” , disse o investigador.

O objectivo do novo biomaterial de duas faces (uma para ligar ao osso e outra à cartilagem) é tentar induzir a regeneração, através de células estaminais, utilizando as propriedades mecânicas e físico-químicas mais adequadas para estar em contacto com a cartilagem e com o osso.

“O trabalho foi reconhecido pelo conceito em si. Até à aplicação, ainda vai um longo caminho” , salientou Miguel Oliveira, referindo que são necessários ainda três a quatro anos de testes de laboratório e 10 a 15 anos de ensaios clínicos.
Miguel Oliveira reconheceu que, para o cidadão comum, 10 a 15 anos é muito tempo, mas realçou que para o investigador não é, porque a aplicação prática de uma inovação científica passa sempre por várias fases morosas.
O investigador referiu que o novo biomaterial deverá começar por ser testado em animais, provavelmente ratos e coelhos, estando já encontrado um parceiro no Japão para desenvolver esta fase.

O desenvolvimento do novo biomaterial, que constitui o trabalho de doutoramento de Miguel Oliveira, está integrado no projecto europeu Hipócrates, liderado pelo grupo de investigação 3B’s da Universidade do Minho e que inclui instituições parceiras na Áustria, Alemanha, Bélgica e Reino Unido.

Reflexo com Lusa

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