Investigação científica, valorização e turismo
Sexta-feira, Março 24, 2006

A conferência contou com uma exposição de dois investigadores da Universidade do Minho e mostrou o muito trabalho que tem sido desenvolvido na citânia.

Decorreu quinta-feira, no Museu Nogueira da Silva, em Braga, uma conferência em torno da Citânia de Briteiros. A iniciativa foi da Biblioteca Publica de Braga e teve como oradores os arqueólogos Francisco Sande Lemos, que é também professor na Universidade do Minho e sócio honorário da Sociedade Martins Sarmento e Gonçalo Correia da Cruz investigador da mesma universidade e que tem trabalhado nos últimos tempos na Citânia de Briteiros.

A apresentação proferida abordava o domínio da investigação científica, valorização e turismo na citânia e serviu para mostrar os recentes desenvolvimentos científicos que têm sido feitos pela Universidade do Minho e pela Sociedade Martins Sarmento.

A Citânia de Briteiros pertence ao universo dos grandes povoados da Idade do Ferro, que têm áreas que rondam os 25 hectares e contrastam com outros povoados existentes no nordeste transmontano e que são bastante mais pequenos. A importância de Briteiros evidencia-se pela sua posição geográfica.

Desde Martins Sarmento, que foi fundador da arqueologia portuguesa e que tem em Briteiros a obra da sua vida, que questões são sequencialmente levantadas em torno da Citânia de Briteiros. Muitas dessas interrogações mantêm-se ainda hoje a par de outras novas que foram surgindo, explicou Francisco Sande Lemos. Por isso que temos de olhar para a citânia não como um palco cinematográfico, onde muito do que mostrado é inventado, mas sim como veículo de uma viagem ao passado, “sempre num estilo minimalista” – disse o professor.

O investigador Correia da Cruz expôs um resumo sobre os trabalhos que têm sido desenvolvidos no sítio e que tiveram o auxílio de um levantamento topográfico, já elaborado pela equipa da UM e de fotografias aéreas.

Para além do núcleo urbano, que coincide basicamente com a área visitável e que tem uma área de cerca de 7 hectares, a Citânia de Briteiros tem uma área mais abrangente cujos estudos têm sido aprofundados nos últimos anos – são três as linhas de muralha que circundam o povoado.

Daqui para frente deverá haver uma aposta forte no chamado “turismo do património”, defendeu Francisco Sande Lemos. O novo centro de recepção é prova de que o trabalho está a ser direccionado nesse sentido. A par disso há ainda várias edições que estão a ser preparadas e uma visita virtual ao sítio pode ser feita através de Internet.

Casa de Sarmento

Texto: Paulo Dumas

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