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Inter-Rail sónico em Setembro
Sábado, Junho 4, 2005

Os Smartini terminaram as gravações do seu primeiro disco. Trabalharam com Paulo Miranda, produtor que se vem distinguindo na cena da música nacional. O álbum tem saída prevista para Setembro e chama-se Sugar Train. À conversa, com o som do disco de fundo, foi feita uma viagem no comboio sonoro dos Smartini.

Como correu o processo de gravação do vosso primeiro disco?
JPaulo:
Estivemos desde 15 de Abril em sessões de gravação nos AmpStudios em Viana do Castelo, propriedade do produtor Paulo Miranda, que já produziu bandas como Norton, Legendary Tiger Man, vários trabalhos da editora Borland como os Old Jerusalém e é o líder dos Unplayable Sofa Guitar.
Nuno: Estas são as bandas mais notórias, é evidente que não produziu Blind Zero nem Xutos e Pontapés, mas no meio independente e alternativo é uma figura muito importante. O estúdio dele fica no centro histórico da cidade. É uma casa antiga. O estúdio ocupa os dois últimos pisos da casa, fica num sótão onde é preciso subir umas escadas em caracol…
JPaulo: O que dificulta a deslocação dos amplificadores.
Nuno: A comunicação entre os dois pisos é feita por uma câmara. Em cima ficamos nós a tocar e o Paulo Miranda ficava em baixo na sala das máquinas.
JPaulo: O estúdio é muito acolhedor e sentimo-nos como que em casa. Íamos com um bocado de receio devido à importância do momento, mas aquele estúdio acabou por provocar um efeito contrário. Gravamos como se estivéssemos em casa. Tivemos músicas que ficaram logo gravadas no primeiro take e aquelas em foi necessário repetir mais vezes, foi porque surgiram coisas novas que não estavam ensaiadas e que foi preciso ensaiar lá. Tivemos um apoio financeiro muito grande de uma pessoa amiga que fez com que esta gravação tivesse sido possível.

Todas as músicas que gravaram, já as levavam de casa ou houve alguma que foi composta no estúdio?
Nuno: Não, tudo o que gravamos já tínhamos ensaiado e tocado nos concertos. A única coisa que gravamos e que não tínhamos, foi uma introdução para o disco e que foi lá feita de raiz. De resto estava tudo programado.

Houve algumas dificuldades no início e que vos levaram inclusivamente a trocar o produtor e o estúdio.
Paulo: Houve uma fase que custou um bocado. Mas não se pode dizer que tenha corrido mal. No início tínhamos previsto fazer as gravações no estúdio dos Mão Morta, com o Nelson Carvalho que colaborou muito tempo com o Mário Barreiros, que produziu os Wraygunn e o último disco dos Mão Morta. Portanto, demonstrava um bom trabalho. O que se passou foi que o Nelson Carvalho se apaixonou, agarrou nas trouxas e foi para Lisboa. Tivemos que encontrar uma nova solução.

Para vocês foi importante terem sido produzidos pelo Paulo Miranda?
JPaulo: Sim, sabíamos à parótida aquilo que queríamos e fomos à procura de alguém que se enquadrasse no som queríamos, mediante o trabalho que conhecíamos.

E encontraram, foram ter com ele e depois como foi?
JPaulo: O Paulo recebeu-nos bastante bem.
Nuno: Quis ouvir a maquete que levamos.
JPaulo: Depois de ter ouvido a maquete, associou-nos a alguns grupos como Joy Division. Depois marcamos a data. Não quis ouvir mais nada nosso a partir daí, para não se deixar influenciar na produção do disco. Levamos também o nosso currículo, onde consta que tínhamos tocado no Festival de Vilar de Mouros, que é sempre uma boa referência.

Como é que descrevem o disco?
JPaulo: Para nós, o disco tem um conceito de base que é uma viagem de comboio…
Nuno: O título do álbum é Sugar Train, que é também o nome do nosso primeiro tema. Foi a primeira música que fizemos e por isso é aquela que mais nos marca e que, talvez, melhor representa a banda e o som que fazemos. Pessoalmente, gostava que as músicas girassem um bocado em torno dessa, mas as outras músicas acabaram por seguir caminhos diferentes.
JPaulo: O álbum tem um som variado. É um aspecto positivo. Como os Smartini têm referências diversas, acabamos por conseguir chegar a sonoridades diferentes, sem que deixemos de ter uma linha comum que nos identifique.

Onde é nos leva aquela viagem de que falavam?
Nuno: É uma viagem que nos leva, por exemplo, à nossa infância. Para mim se tinha um brinquedo preferido, era o comboio eléctrico de brincar. Praticamente toda a gente teve um comboio eléctrico e imaginou viagens nesses comboios. Para mim, os comboios fascinam-me muito, cheguei a fazer viagens de comboio de dois dias. E o meu fascínio pelos comboios vem também daí. Anda tudo muito à volta disso. Mas cada um vai sentir de maneira diferente as músicas e as letras, embora não sejam letras muito directas, porque também não estamos interessados em fazer música muito directa…
JPaulo: É uma viagem que passa por tudo um pouco. Não é muito longa, gostaríamos que fosse mais longa…

Continuam a ter uma componente forte de experimentação na música que fazem?
Nuno: Sim, sempre tentamos fazer isso. Mas desta vez leva-mos isso ainda mais longe com a ajuda do Paulo Miranda.
JPaulo: Pela primeira vez utilizamos sintetizadores que, embora não sejam elementos evidentes, estão lá para ajudar a encorpar o som. Temos também uma voz feminina…

Quando é que o disco será lançado? Já há datas?
JPaulo:
Estamos a estudar as várias possibilidades de edição e distribuição do disco. A edição de autor é uma possibilidade, mas não é a única. A data de lançamento está dependente disso. Mas podemos apontar para o mês de Setembro como altura provável de saída do disco.

Paulo Dumas
paulodumas@reflexodigital.com

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