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(In)Segurança
Terça-feira, Fevereiro 11, 2003

Vem este desabafo a propósito dos recentes e infelizes assaltos na nossa pacata Vila e, principalmente na Escola EB 2,3 que, infelizmente, e dentro de várias causas, também podem ter as que apresento a seguir.
O que mais se ouve por aí dizer, é que os funcionários públicos são uns “malandros” e, dentro destes, os professores muito mais. Mas também são funcionários públicos, os Auxiliares da Acção Educativa, quem faz a recolha do lixo, os funcionários administrativos, camarários, das finanças, dos notários, dos hospitais, dos Centros de Saúde, das Forças de Segurança, etc.
Agora o que é verdade é que sem “ovos não se fazem omoletas”. Lembro que uma política do Estado na Educação é que saem 4 funcionário e entra 1. O normal é que saem 4 e não entra nenhum. E é exactamente isto que aconteceu na Escola EB 2, 3. Ultimamente, saíram, por motivos vários, quatro funcionários e, logicamente, não entrou nenhum. Somando-lhe a parcela – idade média elevada dos restantes Auxiliares da Acção Educativa (o que normalmente representa uma ausência diária ao trabalho de funcionário(s) por baixa médica), – basta fazer as contas e ver”. Esta situação já foi várias vezes denunciada, pelo Conselho Executivo da Escola, ao CAE – Centro da Área Educativa de Braga, que como é habitual, por razões económicas, não apresenta solução(es).
Neste caso não podemos esquecer que o assalto, mesmo com todos os funcionários a trabalhar, poderia ter ocorrido na mesma, pois foi um assalto puro e simples, passando a ser caso de polícia. Mas como “ovos e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém”, podemos colocar a questão: se estivessem todos os funcionários a trabalhar, o assalto teria acontecido? Talvez sim, talvez não. Mas uma coisa pode marcar a diferença, que é ter quem vigie o recinto escolar, ou não ter ninguém que o faça.
Para agravar esta situação, no fim de Novembro, e de acordo com a Circular Nº10/GEF/2002, foi retirado às Escolas 4,5% do Orçamento, para ajudar na redução do Défice (recorde-se que os orçamentos aprovados em Abril haviam já sofrido um corte de 15%). Isto é verba que a(s) Escola(s) poderia(m) investir em várias rubricas, como por exemplo: equipamentos de vigilância e recursos humanos para aumentar a segurança dos nossos/vossos filhos.
Em relação ao material roubado, não poderemos esquecer a quota-parte de culpa dos pais, pois é um regalo ver os filhos com telemóveis topo de gama, com todas as funções e mais algumas: leitor de músicas em MP3, rádio, câmara para tirar fotografias digitais, etc, conseguindo mesmo alguns desses telemóveis, fazer coisas incríveis e antiquadas, como efectuar e receber chamadas. A tecnologia é uma maravilha, e os últimos modelos dão estatuto social. Mas pior é passar as aulas a mandar os alunos desligar os Télélés.
Agora o que também se pode perguntar é onde estava a nossa GNR quando este assalto aconteceu, nos que ocorreram à mão armada na via pública, nos apartamentos, nas caixas Multibanco, nas transacções de droga, etc? Justificação: não há dinheiro para o subsídio de risco, para gasóleo, a nossa justiça é lenta, os infractores são presos hoje e saem em liberdade ontem e, principalmente, porque não é possível ao Estado ter um polícia ao lado de cada cidadão e estar ao mesmo tempo em todo o lado. É p’ró que está…
Quem sabe se o dinheiro gasto com os assessores de imprensa dos Ministros (só os dois assessores do Ministro da Defesa, recebem, mensalmente, 4888 euros cada um), não poderia ou deveria ser aplicado na solução destas necessidades.

Pê eSses finais:
Um agradecimento ao Dr. João Amaral por tudo o que fez pelo País, pela democracia e, principalmente, por tudo aquilo que não deixou que alguns fizessem ao país.
Sensibilizado pelo reconhecimento, mais que merecido, dado ao Dr. João Amaral, pelo País, por pessoas de todas as áreas culturais, desportivas (não esquecer que o Dr. João Amaral era um verdadeiro Dragão) e quadrantes políticos do país, destacando a atitude do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, da própria Edilidade e a condecoração atribuída, a título póstumo, pelo Ministro da Defesa.
Um lamento à “atitude democrática” que o Partido, em que o Dr. João Amaral era filiado, demonstrou.
Outro lamento pela despesa com a compra de suspensões para os nossos automóveis, provocadas pelos buracos das ruas da nossa Vila.
Começo a acreditar no sobrenatural, pois nesta altura do campeonato, não conheço ninguém que tenha votado PSD. É curioso não é!!!!
Solidariedade para com todos aqueles trabalhadores que já sofreram (e que irão sofrer) com a fuga das grandes multinacionais para outros países de mão-de-obra mais barata (depois de aqui terem usufruído de avultados apoios para instalação e isenções fiscais de fazer inveja). É triste!
Até Março