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Hora de cuidar dos dentes!
Domingo, Junho 12, 2005

São birras, choros, …Quem não conhece já o velho truque de molhar a escova em água ou esfregar um pouco de dentífrico nos dentes da frente com a polpa do dedo?
As crianças são espertas mas desconhecem a importância de cuidar dos seus dentes e não encaram a escovagem como algo divertido. Mas esta não é a única forma de manter a saúde oral…
A gravidade da cárie dentária na população infantil e juvenil é medida através do nº de dentes cariados, perdidos e obturados por criança (CPOD) aos 12 anos de idade e da % de crianças livres de cárie dentária aos 6 anos. Esses valores em Portugal são de gravidade moderada: CPOD aos 12 anos de idade de 2,95; a % de crianças livres de cárie dentária aos 6 anos é de 33%. As metas definidas pela Organização Mundial de Saúde para o ano 2020 são que pelo menos 80% das crianças com 6 anos estejam livres de cáries e aos 12 anos o CPOD não ultrapasse 1,5.
No nosso país, a Direcção Geral da Saúde publicou recentemente (18/01/2005) a Circular Normativa nº 01/ DSE que descreve o Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral, alterando algumas orientações anteriormente seguidas pelos profissionais de Saúde. Os objectivos desse Programa são reduzir as doenças orais nas crianças e adolescentes, melhorar conhecimentos e comportamentos sobre alimentação e higiene oral, promover cuidados de saúde oral às crianças e jovens com necessidades de saúde especiais e dos grupos economicamente débeis e socialmente excluídos e criar uma base de dados nacional sobre saúde oral.
O programa é posto em prática pelos profissionais dos Centros de Saúde, que devem promover a saúde, prevenir e diagnosticar precocemente as doenças orais e prestar cuidados de saúde dentários, através de acções dirigidas ao indivíduo, à família e à comunidade escolar. Feito o diagnóstico, a criança deve ser encaminhada para o gestor do Programa no Centro de Saúde. Se nesta instituição não existir um profissional de saúde oral (estomatologista, dentista ou higienista oral), a criança será encaminhada para um serviço hospitalar.
A população-alvo são grávidas e crianças desde o nascimento até aos 16 anos de idade.
A grávida, ao cuidar da sua saúde oral, está a promover a saúde do seu filho: dentes cariados ou doenças das gengivas devem ser tratados. As consultas de vigilância da gravidez são uma excelente oportunidade para sensibilizar os pais para a importância da saúde oral.
A higiene oral de uma criança deve ser iniciada logo após o aparecimento do 1º dente, utilizando dentífrico com flúor na quantidade de 1000-1500 p.p.m. (partes por milhão), 2 vezes / dia, aplicado com uma gaze, dedeira ou escova macia, sendo uma das vezes obrigatoriamente após a última refeição. A quantidade de dentífrico a utilizar deve ser idêntica ao tamanho da unha do dedo mínimo da mão da própria criança. À medida que vai crescendo, a criança pode começar a escovar os dentes sob o olhar atento dos pais.
Os factores de risco de cárie devem ser eliminados: a utilização de chupetas com açúcar ou mel é proibida e a partir do ano de idade não se deve usar prolongadamente o biberão.
Dos 3 aos 6 anos, as crianças começam a definir o seu futuro comportamento alimentar; desaconselha-se assim o consumo de guloseimas e refrigerantes, sobretudo fora das refeições.
Os xaropes sem açúcar devem ter a nossa preferência.
É importante que a criança faça a escovagem dos dentes também no jardim-de-infância.
Aos 6 anos começam a aparecer os primeiros molares permanentes. Estes dentes são mais sujeitos à cárie pela sua forma, imaturidade e dificuldade na remoção da placa bacteriana dos seus sulcos.
No 1º ciclo recomenda-se que as crianças façam uma das escovagens dos dentes na escola. O bochecho com flúor deve ser iniciado nesta altura.
Por volta dos 9-10 anos, deve-se iniciar o uso do fio dental para limpeza dos espaços entre os dentes, após explicação e treino da técnica.
A avaliação do risco individual de cárie dentária faz-se conjugando os seguintes factores: presença de doença oral, hábitos alimentares, regularidade de uso de dentífrico com flúor, nº de escovagens diárias dos dentes, nível socio-económico da família e história clínica da criança (problemas de saúde / medicação crónica).
Em crianças com alto risco de cárie dentária, pode-se aplicar selantes na fissura, fazer suplemento de flúor (1 comprimido de 0,25 mg dissolvido na boca todas as noites antes de deitar) e verniz de flúor ou de clorohexidina. Apenas nestes casos são recomendados suplementos de flúor.
A intoxicação aguda pelo flúor é rara; pode manifestar-se por queixas digestivas, neurológicas, renais, metabólicas, cardiovasculares e respiratórias.
O período crítico para a toxicidade do flúor se manifestar é entre o nascimento e os 7 anos de idade (até aos 3 anos é o período mais sensível). A fluorose dentária é a alteração no aspecto do dente motivada por doses excessivas de flúor. O principal factor de risco é o aporte total de flúor – na alimentação, água, suplementos alimentares, dentífricos e soluções para bochechos, comprimidos e gotas e ingestão acidental.
Nunca deve ser administrado flúor às grávidas, às crianças antes dos 3 anos e às que em qualquer idade consumam água com teor de flúor superior a 0,3 p.p.m.
Até aos 6-7 anos, as crianças não devem ingerir regularmente água com teor de fluoretos superior a 0,7 p.p.m.”
Na água, os valores de flúor são de 0,1 a 0,7 p.p.m. Em Portugal, os valores normalmente são baixos e não se faz adição de flúor.
As águas minerais naturais engarrafadas deverão, por directiva comunitária, ostentar o valor de flúor se este for superior a 1,5 p.p.m., mencionando não ser adequado o seu consumo regular por crianças com menos de 7 anos.
Estas são as orientações actuais para os profissionais de saúde. Aos pais compete ajudar as crianças a compreender a importância de cuidar da saúde dos dentes, vigiar a sua alimentação e fazer da escovagem uma alegre brincadeira. Só assim serão as crianças as primeiras a dizer “Lavar os dentes!”.

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