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Haja decoro!
Quarta-feira, Junho 12, 2013

Tenho esperança que um dia se vai a estudar o papel destruidor de algumas associações em relação a outras, num combate em que normalmente são instrumental de estratégias só partidárias ou pessoais e partidárias em simultâneo.

Obviamente, isso só é possível quando as associações a abater são fortes, estão bem implantadas, apresentam credenciais assentes em acções a benefício da comunidade e, nessa perspectiva, são cobiçadas por aqueles que delas se querem servir como rampa de lançamento para voos mais largos ou temem que elas lhe façam sombra e estraguem a ambição.

Ora, é exactamente esta visão mesquinha e egocêntrica que responde pelo definhamento de colectividades dinâmicas, vigorosas, de contas equilibradas, que resistem à melopeia da raposa interesseira que enaltece os dotes canoros do melro para melhor abocanhar o queijo largado do bico aberto pelo envaidecimento.

O que se tem passado nas Taipas em torno de algumas associações e colectividades é exemplo de um manobrismo político-partidário com origem numa empresa do sector empresarial municipal, que se tem prestado a servir de ponta-de-lança do PS na sua vontade de implantar uma administração paralela, usando e abusando de um papel de interlocutor privilegiadíssimo.

A cabeça da hidra está nas Termas e dali parte para as suas investidas, ora promovendo espectáculos que em rigor extravasam os limites do seu objecto social, ora promovendo acções de intervenção no vasto e valioso património edificado e paisagístico que por força da lei foi parar às mãos da Câmara, mas que pertence de coração às Taipas.

Este conjunto de procedimentos é em si mesmo censurável, mas mais censurável é quando o patrocinador, a Câmara do PS, semeia a divisão e a desconfiança entre associações igualmente meritórias concentrando nas que lhe são mais queridas a generosidade de subsídios, deixando à míngua outras igualmente carenciadas.

Em causa não está o que a Câmara deu ao Clube Caçadores. Em causa está o que não honra com outras associações a quem fez promessas.

No dia em que o povo acordar mesmo da sonolência em que caiu vai perceber que para a Câmara ser generosa é condição fundamental que à frente da colectividade contemplada esteja gente do PS e de preferência gente disposta a ser candidata pelo PS.

Este uso do dinheiro que é de todos por parte da Câmara socialista e em benefício exclusivo dos seus pares merece repúdio.