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‘Habemus Alfa’
Quinta-feira, Abril 14, 2016

A notícia surgiu nos principais jornais: o alfa pendular chega à cidade berço. De facto, depois dos testes, realizados com sucesso na linha de Guimarães, no passado dia 6, a CP anunciou que o comboio alfa passará a fazer uma conexão diária entre Guimarães e Lisboa a partir do próximo mês. O objetivo é alargar os serviços do comboio de alta velocidade às populações dos concelhos de Guimarães, Santo Tirso e Trofa, estabelecendo-se uma ligação ferroviária direta entre Guimarães e Lisboa. A viagem terá a duração de 3 horas e 40 minutos, o que diminui o tempo de viagem entre a capital e a nossa cidade em quase quarenta minutos face ao Intercidades, que faz atualmente o mesmo percurso.

Inegavelmente, este investimento público não deixa de ser uma vitória, todavia acaba por saber a pouco, dado que, em bom rigor, este serviço não foi alargado à cidade de Guimarães com o principal intuito de servir as populações minhotas, mas, sim, a pensar em quem está em Lisboa e quer deslocar-se a Guimarães de uma forma segura, rápida e económica. De certo que se esta ligação tivesse como principal propósito satisfazer os interesses dos habitantes de Guimarães, de Santo Tirso e da Trofa os horários do alfa pendular viabilizariam uma viagem de ida-e-volta entre Guimarães e Lisboa no mesmo dia, o que não irá acontecer. Com efeito, o alfa pendular partirá de Lisboa com destino a Guimarães por volta das oito horas da manhã, ao passo que a partida de Guimarães rumo a Lisboa só ocorrerá cerca das cinco da tarde. Assim, os vimaranenses que pretendam fazer a uma visita à cidade alfacinha ou a outra (Santo Tirso, Trofa, Porto, Vila Nova de Gaia, Espinho, Aveiro, Coimbra, Pombal, Entroncamento e Santarém), fazendo uso somente do alfa pendular, terão de pernoitar fora de casa, pelo menos uma noite, o que acaba por ficar aquém do desejado.

Há muito se clamava por um comboio de alta velocidade em direção ao sul, não só para encurtar a distância entre Guimarães e Lisboa, mas também para reduzir o tempo de viagem ao Porto, a qual dura, aproximadamente, nos comboios urbanos (que são a grande maioria), uns desesperantes setenta e cinco minutos. A partir de maio, o mesmo trajeto passará a demorar, com o alfa, uns vagarosos cinquenta minutos. E digo “vagarosos” deliberadamente porque o percurso Guimarães – Porto será sempre muito mais lento do que seria de esperar devido ao traçado sinuoso do ramal, que impossibilita que se atinjam velocidades muito elevadas. Se a via ferroviária tivesse outro traçado, mais retilíneo, talvez mais gente usasse o comboio para se deslocar até ao Porto.

Finalmente, e porque estou a falar de comboios e ligações ferroviárias, resta-me confessar que, até hoje, não consigo perceber como é que ainda não existe uma linha que faça o trajeto Guimarães – Braga e vice-versa, já que, diariamente, circulam inúmeras pessoas entre estas cidades, sendo que muitas delas fazem-no de automóvel. Na minha opinião, a inexistência de uma linha férrea entre os referidos concelhos é um erro clamoroso e um grande entrave ao desenvolvimento do distrito, porquanto não há meios de transporte coletivos capazes de dar resposta a esse intenso fluxo de pessoas.

Pode ser que este seja o próximo plano da CP. Façamos figas para que tal aconteça.

Advogada