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Guimarães, berço de campeões
Quinta-feira, Julho 21, 2016

O país anda eufórico com a dimensão dos feitos desportivos alcançados nas últimas semanas, o orgulho nacional disparou para níveis quase surreais e todos somos arrastados por uma onda de euforia que facilmente remete para o esquecimento as debilidades estruturais que, ao nível do desporto, ainda caraterizam Portugal.

Mas para um país periférico como o nosso, de escala populacional reduzida e sistemicamente condicionado por uma fraquíssima taxa de prática desportiva, não deixa de ser motivo de profundo regozijo saber que estaremos nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro com uma delegação de quase cem atletas, que somos campeões europeus de futebol ou que temos dos melhores atletas do mundo no atletismo, no ténis, no ciclismo, no taekwondo, no judo, na ginástica e em tantas outras modalidades.

Para quem, como eu, que teve praticamente uma vida inteira ligada ao desporto, e conhecendo essa realidade enquanto atleta, dirigente, jornalista e gestor, não deixa de ser um exercício curioso refletir sobre que país desportivo teríamos caso as políticas desportivas nacionais não desvalorizassem tanto a educação física nas escolas e o desporto formativo e de base. Não tenho dúvidas que se essa aposta fosse efetiva, estruturada e coerente, algo que venho defendendo há muitos anos, esta onda de euforia atual seria repetida muito mais vezes.

O que vai valendo aos sucessivos governos e às entidades que tutelam o desporto nacional é que existem neste país autarquias locais que fazem do desporto aposta séria e prioritária, porque entenderam há muito a sua importante função social, disponibilizando meios, recursos e entusiasmo ao tecido associativo desportivo local, incentivando-os para o trabalho de base formativa, dotando-os de infraestruturas e equipamentos desportivos de qualidade e apoiando-os financeiramente, oferecendo-lhes uma vantagem competitiva importante neste mundo que oferece diversificadas ofertas e motivações às crianças e jovens de hoje.

Em Guimarães tem sido assim. E não deixa de ser sintomático, e motivo da maior alegria e orgulho, realizar uma Gala do Desporto, como aconteceu no início deste mês, e homenagear 187 campeões regionais, nacionais e internacionais, individuais e coletivos, em mais de 20 modalidades desportivas diferentes, alguns deles sendo os melhores da europa ou do mundo.

Como não deixa de ser relevante destacar que no Rio de Janeiro cinco atletas vimaranenses vão representar o nosso país: Dulce Félix e Ricardo Ribas (atletismo), Rui Bragança (Taekwondo), José Mendes (ciclismo) e João Sousa (ténis). Ou que Vieirinha, um campeões europeus de futebol, é de Guimarães e que aqui se formou futebolista de craveira mundial. Ou que na semana passada a equipa de futebol da Universidade do Minho se sagrou campeã europeia com três estudantes de Guimarães: o Agostinho, o Gil e o João Pedro ou que os atletas taipenses que representaram Portugal nos Mundiais de Rope Skipping tiveram um comportamento brilhante. Ou ainda que os fantásticos atletas da Cercigui/Vitória SC, o Nélson e a Susana, em representação da seleção de Portugal nos Trisome Games, conquistaram medalhas de ouro e de prata no atletismo e no judo.

Guimarães é um berço de campeões, não tenho dúvidas. Mas só o é porque aqui coabita, numa harmonia quase perfeita, a vontade política de ajudar, a dimensão extraordinária dos nossos dirigentes desportivos e um espírito de conquista e superação que nasce com cada um de nós e que nos torna diferentes.