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Guimarães 2012 deve trabalhar com as freguesias
Segunda-feira, Outubro 19, 2009

O Forum Guimarães decorreu no passado fim-de-semana na cidade-berço reunindo largas dezenas de agentes culturais e estudiosos dos temas relacionados com a cultura e com a organização de eventos como as capitais europeias.

Decorreu nos dias 16 e 17 de Outubro, no Centro Cultural Vila Flor o Forum Guimarães, que reuniu no foyer do Grande Auditório vários especialistas em matéria de organização de eventos culturais e da análise das suas repercussões nas cidades e nas regiões.

As ideias centrais do encontro passam em primeiro lugar por perceber a oportunidade única que cidades como Guimarães têm ao albergar durante um ano o título de Capital Europeia da Cultura; depois saber de que forma devem ser estabelecidas as relações entre o local e o europeu e finalmente, na forma como se poderão potenciar as oportunidades de desenvolvimento económico e social.

Francisca Abreu sublinhou a relação entre “nós” e os “outros”, ou seja as gentes e os agentes de Guimarães e aqueles que visitam a cidade e que procuram as suas ofertas culturais. A directora d’A Oficina sustentou ainda a ideia de que é necessário envolvimento de todos os agentes na valorização quer das tradições, quer da criatividade, referindo-se à densa rede de associações culturais existentes no concelho de Guimarães.

A partir desta revelação, o antropólogo Jean-Yves Durand, investigador no Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA), alertou para a possibilidade de “fracasso” da CEC2012 caso a sua agenda se centre unicamente no centro da cidade. Esta ideia foi de resto igualmente defendida por Isabel Fernandes, directora do Museu Alberto Sampaio, sustentando que a maioria da população está fora da cidade, havendo todo um património que é necessário valorizar também fora da cidade.

Durante esta discussão, Pedro Grande – arquitecto e professor da Universidade de Coimbra, não deixou de lembrar a recente polémica levantada pelas declarações ao jornal Público do geógrafo Álvaro Domingues (também presente no encontro) sobre a “cidade ordinária” e a “cidade extraordinária”. Declarações estas que não deixaram nada satisfeito o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, na última reunião reunião de veradores.

Texto: Paulo Dumas

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