Grupo de Teatro Útero apresenta “Europa” no multiusos da Secundária das Taipas
Quarta-feira, Maio 9, 2012

“Europa” é uma criação que coloca em cena uma reflexão partilhada sobre a condição actual da Europa, da sua identidade una e/ou múltipla, da sua história recente.

A apresentação da peça é resultado de uma residência artística do grupo de teatro de Almada, desenvolvida na Escola Secundária de Caldas das Taipas, desde o passado dia 27 de Abril.

O Projecto “Europa” foi concebido por Miguel Moreira e Romeu Runa e tem como protagonistas Vânia Rovisco e Catarina Félix. Como referiu Miguel Moreira, que tem dirigido os ensaios, esta intervenção artística está dividida em duas partes, em que a primeira foi marcada por uma certa agitação na própria escola e que terá como resultado a apresentação da peça a toda a comunidade: “Estivemos durante duas semanas a conhecer a escola, a experimentar uma série de intervenções que fomos tendo nos intervalos das aulas, intervindo nas próprias aulas, distribuindo jogos de palavras na entrada da escola, tudo isto para percebermos como funcionam os mais de mil alunos e professores”. O resultado deste “elemento estranho e perturbador” presente na escola durante dez dias será apresentado, no dia 9 de Maio, pelas 21h30min, a toda a comunidade.

Vânia Rovisco e Catarina Félix revelaram que o primeiro dia na escola foi muito intenso e teve um impacto de grande surpresa nos alunos. Relembraram alguns momentos em que, por exemplo, alguns professores queriam nitidamente que “despachássemos aquilo”. Apesar de terem os cabelos em frente dos olhos, como referiram, “sentíamos a inquietude de alguns professores, no entanto, tivemos sempre presente o momento em que deveríamos abandonar a sala de aula, antes que o professor nos convidasse para sair “.

Miguel Moreira, por sua vez, salientou que, o que está a resultar desta residência artística “é a apreensão de como movimentamos uma massa, como a contagiamos, no sentido de a levar a ver uma peça, uma criação”. Não partilha a ideia de que a criação contemporânea é distante e que não atrai nem movimenta a comunidade, “apesar de, na nossa criação, podermos ter mais perguntas do que afirmações e de obrigarmos os espectadores a participar, no sentido de criarem eles próprios os sentidos do que estão a ver”. O grupo de teatro Útero, com esta intervenção artística, pretende subverter um sistema clássico dominante, do anúncio de um teatro e da sua simples apresentação, através de uma narrativa clássica e convencional que explica o que está a ver.

De acrescentar, por último, que a peça final será levada à cena no dia 25 de Setembro no Centro Cultural Vila Flor.

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