PUB
Green Weekend
Quinta-feira, Junho 2, 2016

Este fim de semana a Câmara de Guimarães comemora simbolicamente o ambiente numa iniciativa que batizou com o anglicismo “Green Weekend”, estando previstas um conjunto de iniciativas que visam sensibilizar a população para as preocupações e práticas ambientais.

No entanto, na mesma semana em que Guimarães comemora o “Green Weekend”, a Quercus emitiu um comunicado público, especialmente dirigido à Câmara de Guimarães, exigindo a “suspensão do processo de fábrica de reciclagem em terrenos afetos à reserva ecológica nacional”. Num comunicado muito duro para a Câmara de Guimarães e assinado pela sua Direção Nacional, a Quercus recorda que “este processo “ultrapassou pela berma” a revisão do Plano Diretor Municipal de Guimarães (PDM), obtendo o respetivo licenciamento em abril de 2015, três meses antes da publicação da revisão do PDM, que classificou os terrenos em causa como REN” dizendo ainda que “se procedeu a uma operação drástica na configuração do terreno, implicando a movimentação de grandes volumes de terras e a criação de um aterro com grande impacto visual e elevada instabilidade”.

Ainda esta semana faz título de jornal a circunstância de ter sido público que é em Guimarães que é derramada para o rio Ave a bactéria E. Coli, a mais perigosa das quatro bactérias multirresistentes encontradas neste nosso rio. No âmbito da discussão tida sobre este assunto na Comissão de Ambiente da Assembleia da República, foi inclusivamente pedida a limitação da prática da pesca e banhos no rio Ave.

Ainda sobre a temática ambiental, na última reunião de Câmara tive ainda ocasião de recordar que apesar de ter apresentado em 2015 um programa que designou «Guimarães sem Glifosato» (um herbicida usado nas vias urbanas, que tem sido referido em estudos como tendo efeitos potencialmente nefastos para a saúde humana), a Câmara de Guimarães – candidata a Capital Verde Europeia – não aceitou subscrever o Manifesto “Autarquia sem Glifosato” que a Quercus endereçou a todos as câmaras do País em 2014. Sendo que, entre outras, as câmaras do Porto, Braga, Vila Real o fizeram prontamente. No que têm sido seguidas por outras.

Naturalmente que só posso lamentar que, no que toca à aplicação de medidas que revelam preocupações verdadeiramente ecológicas e ambientais, Guimarães acaba por nunca ser pioneira, sendo-o apenas em iniciativas simbólicas e de comemoração.

Se a isto associarmos o projeto de via do AvePark que foi apresentado e defendido pela Câmara de Guimarães, um projeto que rasga terrenos de produção agrícola, terrenos classificados como reserva ecológica e agrícola, podemos concluir que o clima não está fácil. Ou dito de outra forma, de que adiantam as comemorações simbólicas se elas não são acompanhadas de uma prática política que seja verdadeira e genuinamente ambiental?

Eu sempre defendi que a minha preocupação era que Guimarães quisesse ser um “concelho verde” antes de querer ser uma “capital verde”, porque é essa a diferença entre quem tem verdadeiramente preocupações ambientais e entre quem apenas luta por medalhas para obter determinadas classificações.

Vereador do PSD na Câmara Municipal de Guimarães