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Glifosato? Não, obrigado!
Quinta-feira, Abril 21, 2016

Há cada vez mais pessoas, instituições, e até países a dizerem NÃO ao GLIFOSATO.

Mas serão estes, em número e importância suficientes, para fazer frente aos poderosos lobbies corporativos, dando coragem (ou não deixando margem!) à Comissão Europeia (CE) para banir ou limitar o uso deste químico? Em breve (maio) teremos a resposta.

Desde há muito, que grupos de médicos, cientistas e investigadores independentes, têm manifestado preocupação quanto aos efeitos nocivos do Glifosato na saúde pública e no meio ambiente. Mas, foi desde que a Agência Internacional para a Investigação do Cancro (AIIC) da Organização Mundial de Saúde (OMS), classificou o glifosato como “carcinogéneo provável para o ser humano” (março 2015), que a comunicação social deu o devido foco ao assunto, despertando um alerta na sociedade civil.

Desde então, a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (AESA) realizou um estudo (novembro 2015), a pedido da CE, onde concluiu ser pouco provável que o glifosato seja cancerígeno. Os dados do estudo, apesar do apelo da comunidade cientifica independente, permanecem secretos, levando a que muitos o rotulem de “encomendado” pela industria para reparar os danos, e manter a porta aberta à renovação da licença de uso do Glifosato na União Europeia (UE).

De facto, o uso de químicos na UE carece de licença, e a do Glifosato caduca a meio deste ano, tendo a CE, através da Alemanha (BASF, Bayer), proposto a sua renovação por 15 anos. Esta proposta esteve em discussão em março deste ano, mas face à oposição de alguns países, a decisão foi adiada para o mês de maio. No entretanto, houve uma resolução não vinculativa do parlamento europeu, que aprova por apenas 7 anos a renovação da licença, e limita o seu uso à agricultura.

Em Portugal, o Glifosato também é o rei dos herbicidas (mil ton./ano), e também tem contestação. Em 2014, a Quercus e a Plataforma Transgénicos Fora desafiaram todos os municípios e freguesias a aderirem ao compromisso “Autarquias sem Glifosato”, banindo o uso desse químico nos espaços públicos.

O Glifosato é um químico de síntese, patenteado pela empresa Monsanto, e que serve de substância ativa ao seu famoso herbicida Roundup, assim como à grande maioria dos herbicidas fabricados por outras empresas (e.g. Bayer). O seu uso massivo (130 milhões de toneladas/ano) e continuado, faz com que a sua presença seja regularmente detetada em alimentos, animais e pessoas. Os efeitos nocivos deste químico vão muito além do “carcinogéneo provável”, estando referenciado como potenciador de diversas doenças, é também nefasto para a biodiversidade e para os ecossistemas.

Apelo à responsabilidade individual e coletiva, incentivando os leitores a procurar saber mais sobre este assunto, pois estou certo de que irão descobrir que seja qual for a decisão da CE, cada um de nós (e ao seu modo) pode e deve dizer NÃO ao GLIFOSATO.

Director da AVE – Associação Vimaranense para a Ecologia