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Generosos no silêncio
Terça-feira, Agosto 13, 2013

O silêncio é uma espécie em vias de extinção. Com dificuldade encontramos um espaço de silêncio para pensar, para reflectir, para meditar. Fora de casa, é o ruído permanente dos meios de transporte e as palavras soltas das pessoas que correm apressadas de um lado para o outro. Quem vai sozinho, se é jovem, é capaz de levar um walkman para o ajudar a suportar o peso do silêncio. Dentro de casa, é a televisão sempre acesa ou o ruído da música em grande volume para satisfação dos mais novos. No lugar de trabalho, é o barulho da maquinaria e a preocupação permanente que matam o silêncio.

Esta falta de silêncio físico não permite que apreciemos como é importante o silêncio. Não um silêncio que consiste simplesmente na ausência de ruídos, mas um silêncio que vem do mais íntimo de nós próprios, porque é um silêncio carregado de significado.

Ser generoso no silêncio é dar o nosso silêncio aos que estão ao nosso lado e que, em certas circunstâncias da sua vida, nos pedem não palavras mas a nossa presença ao seu lado, permanecendo em silêncio. Manifestamos assim que estamos presentes com as pessoas, tanto nas alegrias como nas tristezas, tanto por ocasião de festas como em momentos de grande dor.

A pessoa egocêntrica está tão preocupada consigo própria, que não consegue entrar em empatia com o outro, compreendendo os seus sentimentos e as suas necessidades. Mas quem é generoso sabe dar o seu silêncio, estando ao lado do outro sem olhar para o relógio e fazendo o possível para que nenhuma tristeza ou dor possa tirar a alguém o amor pela vida e a esperança de um amanhã melhor e feliz.

Ser generoso no silêncio é também dar aos outros, sobretudo aos mais jovens, o gosto pelo silêncio. Dar-lhes este gosto, para que percebam que viver não consiste apenas em passar os tempos livres na confusão das grandes superfícies comerciais e as noites do fim-de-semana nas discotecas, onde o ruído é tal que pode danificar os ouvidos e conduzir a uma surdez prematura.

É importante dar aos jovens e a toda a gente o gosto de sair do ruído desta sociedade de consumo, e de encontrar espaços de silêncio, nos quais possam encontrar-se consigo próprios e interrogar-se acerca das razões para viver e para esperar.

O silêncio dá-nos serenidade, paz, alegria, liberdade, felicidade, profundidade, entusiasmo, esperança. Podemos experimentar isso, por exemplo, quando fazemos um Retiro espiritual, quando rezamos, quando escutamos uma música meditativa, quando fazemos o exame de consciência, quando contemplamos a natureza, os animais, as flores, o pôr do sol, a alva, uma criança…

Podemos fazer experiência do significado e da fecundidade do silêncio quando estamos presentes com uma pessoa doente, quiçá moribunda, estamos ali juntinhos, não encontrando palavras para dizer, mas falando com a nossa presença, com o nosso olhar, com o nosso toque de mão, com o nosso beijo…

Esta altura de férias é particularmente favorável para podermos fazer experiências deste género… Boas Férias!