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Generosos no gesto
Quarta-feira, Junho 12, 2013

Comunicamos com a palavra, mas comunicamos também com os gestos, as atitudes, os comportamentos. Cada um dos nossos gestos é veículo de uma mensagem. A linguagem das atitudes é tão ou mais rica que a linguagem das palavras, pois não interessa dizer, por exemplo, que amamos uma pessoa se as atitudes de cada dia não vêm confirmar esses bons sentimentos.

Vivemos numa época em que existem como que demasiadas palavras e um défice de gestos ou obras. Amontoam-se nas prateleiras os discursos feitos pelos líderes políticos ou religiosos, todos eles utilizando lindas palavras. Mas tudo fica letra morta, se não se passa da palavra ao gesto, à acção.

As pessoas, hoje, não estão já muito interessadas em ouvir discursos palavrosos de líderes ou doutrinadores. Preferem ver a eloquência dos gestos, das obras. Sobretudo das obras feitas com generosidade, gratuitamente, por amor.

Mais do que palavras, necessitamos de ter olhos. Estarmos atentos ao que se passa à nossa volta, seja no lar, na escola, na universidade, no trabalho, na paróquia, na rua, nos espaços do tempo livre, em toda a parte.

Em todos esses espaços pode haver pessoas que precisam não tanto de palavras mas de gestos generosos. E basta vermos uma pessoa em necessidade ou em dificuldade, para nos empenharmos em ter um gesto de atenção, de afecto, de amizade, de solidariedade.

Este gesto não é imposto. Precisamos de perguntar ao outro se aceita a nossa generosidade, a nossa ajuda, o nosso apoio. O outro, se consciente, será sempre o protagonista e será ele que, utilizando a sua liberdade, aceitará ou não o nosso gesto gratuito e feito de boa-vontade.

Quando há gestos generosos, as pessoas vivem mais felizes, os nossos ambientes ganham mais luz, a sociedade é mais alegre.

Podemos encontrar destes gestos generosos todos os dias. Vejamos alguns exemplos: a pessoa que se oferece para ajudar antes que alguém lhe peça, o cidadão que se levanta no autocarro para ceder o lugar a um idoso ou a uma mulher grávida, o professor que prolonga o seu horário para dar explicações a um aluno, o peão que ajuda uma pessoa idosa a atravessar a rua, o condutor que cede a passagem a outro veículo, o inquilino que ajuda um outro inquilino a carregar as suas coisas até ao último andar… Há tantas ocasiões para realizar um gesto generoso. Para dizer solidariedade não são necessárias palavras: bastam estes e outros gestos de cada dia.

Esta reflexão leva-me espontaneamente a pensar no Papa Francisco. Penso que uma das maiores razões para a grande aceitação e simpatia que tem tido por parte das pessoas e do mundo em geral, inclusivé de não-crentes e de outras Religiões, está precisamente nos seus gestos tão simples quão eloquentes, que transmitem a generosidade, a bondade, o afecto, a pureza, o amor, a grandeza do seu coração e da sua fé. Podemos dizer que o Papa Francisco é uma pessoa que fala com gestos, através de gestos! Que fala de Deus, que mostra Deus através dos seus gestos! Um Papa que dá muito mais importância às pessoas que às regras de protocolo!

Aproveito para desejar bons Exames escolares e académicos às/aos jovens Estudantes e boas férias para todos!